Domingo de Páscoa – Ano A

(At 10,34.37-43; Sl 117[118]; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9)*

1. Algumas situações na vida podem nos levar a usar a palavra, ressurreição, renascimento. Quando alguém atravessa uma grave doença, e pode retomar as suas atividades, dizemos que ela renasceu! Um político, ou um atleta que sofre uma derrota, se supõe logo que é o seu fim. Mas se numa nova ocasião ele obtém sucesso: dizemos que ressuscitou!

2. Tolstói escreveu um romance intitulado Ressurreição. Por detrás da palavra Ressurreição do título, há uma história de redenção do mal. Um homem sacrifica a sua posição social e a carreira para reparar um erro cometido na juventude contra uma jovem.

3. Cada uma dessas situações nos ajuda a entender alguma coisa da ressurreição de Cristo. Ela é tudo isso – retorna à vida, vitória sobre os inimigos, triunfo do amor – e infinitamente mais que tudo isso. Se há tantas pequenas ressurreições na vida - também na nossa –, é porque antes houve a ressurreição de Cristo. Ela é a causa de todas as ressurreições: à vida, à esperança.

4. Com estas promessas, aproximamo-nos do Evangelho deste domingo de Páscoa. Esse brado de “Ressuscitou” ressoou pela 1ª vez no mundo àquelas mulheres que vão pela manhã ao sepulcro, entre elas, Madalena. E elas se precipitam pelos caminhos até chegarem ao cenáculo para darem a notícia aos discípulos.

5. Os discípulos logo percebem que algo de extraordinário havia acontecido e no meio de tamanho entusiasmo vem a notícia da ressurreição. E assim, o anúncio da Ressurreição de Cristo começava sua corrida através da história, como uma onda calma e majestosa que nada nem ninguém poderá fazer parar até o fim do mundo.

6. Este anúncio, passado vinte séculos, chega também a nós, hoje, límpido e fresco, como na primeira vez. Mas Jesus ressuscitou verdadeiramente? Que garantia temos de que se trata de um fato realmente acontecido e de que não é uma invenção ou uma ilusão?

7. Paulo, em 1Cor 15,8, há quase 25 nos de distância dos fatos, elenca todas as pessoas que viram a Cristo depois da ressurreição e a maioria era ainda viva. E acrescenta também a sua pessoa, em seu testemunho pessoal de encontro com o Ressuscitado.

8. Estes discípulos são os mesmos que se dispersaram com a sua morte; deram o caso por encerrado, como os discípulos de Emaús. Não esperavam nada. E eis que, de improviso, estes mesmos homens estão a proclamar que Jesus está vivo, e por esse testemunho, enfrentam processos, perseguições e ao fim, um após o outro, o martírio e a morte.

9. Sem o fato da ressurreição, o nascimento do cristianismo e da Igreja se torna um mistério ainda mais difícil de se explicar do que a própria ressurreição.

10. Estes são alguns argumentos históricos, objetivos, mas a prova mais forte que Cristo ressuscitou, que está vivo, não nos vem de o termos visto, mas de que Ele tem vida em nós, nos comunica o sentido da sua presença, nos faz ter esperança. “Toca em Cristo quem crê em Cristo”, dizia S. Agostinho e os verdadeiros crentes fazem a experiência da verdade desta afirmação.

11. Sem entrar aqui no que argumentam os que não creem, a força da ressurreição de Cristo, como diz São Paulo, é, para o universo espiritual, aquilo que foi para o universo físico, segundo a teoria moderna do Big Bang: uma explosão tal de energia que imprimiu no cosmo aquele movimento de expansão que dura ainda hoje, a distância de milhares de anos.

12. De São Serafim de Sarov, um monge que viveu na Rússia, se conta que quando as pessoas iam ao seu encontro no mosteiro para confessar-lhe seus pecados, ele ia ao encontro delas e, ainda longe, as saudava com grande entusiasmo, gritando, “Meu querido, Cristo ressuscitou!”.

13. Nos lábios desse santo aquelas palavras tinham uma força que, só ao ouvi-las, os visitantes sentiam cair os sofrimentos do coração e renascer a esperança. Façamos também nossa essa saudação nesse dia de Páscoa, ao menos com os olhos, se não é possível com a boca: “Meus queridos[as], Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!”

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado Santo –

 Uma meditação: “Tempo de desolação”

“Então Jesus perguntou: ‘O que ides conversando pelo caminho?’ Eles pararam com o rosto triste...” Lc 24,17.

“A morte de cruz mergulhou os discípulos numa profunda desolação. Os ideais cultivados na convivência com o Mestre esvaíram-se. Seu poder, sobejamente demonstrado nos milagres que realizou, dilui-se na impotência a que fora reduzido ao ser pregado na cruz, sem ter como se defender. Sua autoridade, manifestada no modo de falar e ensinar, pareceu desacreditada, ao ser reduzido à condição de maldito. Sua intimidade com o Pai pareceu ter sido de pouca valia, pois não se observou nenhuma manifestação divina a seu favor, quando se viu entregue nas mãos de seus algozes. O projeto de Reino, formidável na sua formulação, foi de água abaixo. Era insensato falar de justiça, fraternidade, partilha, num mundo onde o pecado brutaliza o coração humano, e a injustiça, a maldade, a prepotência pareciam ter a primazia. A desolação impedia os discípulos de considerar com clareza a morte de Jesus e de entende-la em conexão com a vida. O olhar obnubilado impedia-os de pensar diversamente e de considerar a possibilidade da intervenção do Pai na vida de Jesus. Afinal, não mostrara-se o Filho, de mil maneiras, absolutamente fiel a ele? A ressurreição abriu os olhos dos discípulos, permitindo-lhes reinterpretar a morte de Jesus sob nova luz. Então, o humanamente insensato tomou sentido novo, na perspectiva de Deus. Por isso, urgia não se deixar abater pela desolação, mas olhar para além da cruz. – Pai, que eu não me deixe abater pela desolação provocada pela cruz, pois a vida do Filho Jesus está colocada em tuas mãos. Creio que não o deixaste perder, mas a ressuscitaste da morte” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 03 de abril de 2026

(Is 52,13—53,12; Sl 30[31]; Hb 4,14-16; 5,7-9; Jo 18,1—19,42) Paixão do Senhor.

“Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: ‘Tu és o rei dos judeus?’” Jo 18,33.

“A paixão revelou a dignidade real de Jesus, embora, tenha havido uma radical contradição entre a interpretação de Jesus e a dos inimigos e algozes. Ao ser interrogado por Pilatos, Jesus respondeu: ‘Eu sou rei’, depois de fazer a autoridade romana concluir, por si mesma: ‘Tu o dizes!’.  A soldadesca insana ultrajou Jesus, servindo-se de mímicas burlescas próprias de uma investidura real: colocaram-lhe uma coroa de púrpura. A seguir, prostraram-se, ironicamente, diante dele, saudando-o como rei dos judeus. Por ordem de Pilatos, foi preparada uma inscrição, em três línguas, para ser afixada sobre a cabeça de Jesus, indicando a causa da condenação: ‘Jesus nazareno, rei dos judeus’. Alertado a mudar o teor da inscrição, Pilatos apelou para a sua autoridade: ‘O que escrevi, está escrito’. O evangelista observa que muitos judeus leram a inscrição, por ter sido crucificado perto da cidade. O Mestre, porém, tinha consciência de que seu Reino não era deste mundo, e estava estruturado de maneira diferente. Fundava-se na fraternidade, na justiça, na partilha, no perdão reconciliador. Os reinos deste mundo não serviam de modelo para Jesus fazer os discípulos entenderem o que se passava com o seu Reino. Por conseguinte, nem Pilatos nem os judeus tinham condições de compreender em que sentido Jesus era rei. – Pai, confirma minha condição de discípulo do Reino instaurado por Jesus na história humana, fazendo-me acreditar sempre mais na força da justiça e do amor (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).


Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 02 de abril de 2026

(Ex 12,1-8.11-14; Sl 115[116B]; 1Cor 11,23-26; Jo 13,1-15) Ceia do Senhor.

“Chegou a vez de Simão Pedro, Pedro disse: ‘Senhor, tu me lavas os pés?’” Jo 13,9.

“João tem duas interpretações para o lava-pés: numa ele o vê como símbolo e noutra como modelo. O conteúdo simbólico do lava-pés revela-se nas palavras: ‘Jesus (...) depõe o seu manto e toma um pano com o qual se cinge’ (13,4). Trata-se de uma metáfora da encarnação de Jesus. Ele depôs o manto de sua natureza divina e se apresenta com um pano, como escravo. O simbolismo do lava-pés aparece também no diálogo com Pedro. Este não quer permitir que Jesus lhe lave os pés. Pedro vê no gesto um serviço que cabe a um escravo.  Jesus respondeu-lhe: ‘O que eu faço, tu não és capaz de saber agora, mais tarde, porém, compreenderás’ (13,7). O lava-pés remete a um outro acontecimento, à morte de Jesus. É uma imagem do último serviço que Jesus prestará aos seus discípulos: sua morte por amizade na cruz. Quem recusa esse serviço não participa da salvação, da glória de Jesus: ‘Se eu não te lavar, não poderás ter parte comigo’ (13,8). Novamente, Pedro não entende o que Jesus gostaria de lhe dizer. Ele intui apenas que o lava-pés lhe dará parte com Cristo. Por isso pede que Jesus lhe dê logo um banho completo. Jesus lhe explica, então, o sentido de seu ato: ‘Aquele que tomou banho não tem nenhuma necessidade de ser lavado, pois está inteiramente puro’ (13,10). Os discípulos já se tornaram puros pelos atos e pelas palavras de Jesus. Bultman entende essa pureza como libertação do mundo. Quem crê em Jesus, livrou-se do poder do mundo e de seus padrões. Ele não se suja com os jogos de poder, com as intrigas e os vícios. Para Jesus, o lava-pés é um sinal daquele ato de amor que ainda falta: a sua morte de cruz. Nesse ato, o seu amor se completará. A fé não exige apenas que o discípulo creia nas palavras de Jesus, mas que creia sobretudo em sua morte. Assim se completa também a sua fé, pois ele vê na morte de cruz a maior prova do amor de Jesus” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 01 de abril de 2026

(Is 50,4-9; Sl 68[69]; Mt 26,14-25) Semana Santa

“Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?’” Mt 26,22.

“O fato da traição de Judas nos há de recordar as palavras da Sagrada Escritura: ‘Portanto, quem pensa estar em pé, veja que não caia’ (1Coríntios 10,12). Todos estamos em perigo de cair e todos cairemos, se não estivermos constantemente em oração, para merecermos a ajuda e a graça de Deus. Os apóstolos não se sentiram seguros e ainda que a consciência não os acusasse, todos eles foram apresentando sua preocupante pergunta: ‘Acaso sou eu, Senhor?’ A humildade é que nos pode manter na graça de Deus e afastar-nos do pecado; fugir sempre das ocasiões de pecar, pois aquele que foge do perigo de pecar dificilmente peca. A fuga não é de covardes, mas de prudentes e, se em alguma oportunidade se requer enfrentar o perigo para desafiá-lo, será preciso que o façamos com verdadeira humildade e não com arrogância. Confiando não em nossas forças e capacidades pessoais, mas na proteção amorosa do Senhor que teremos muito cuidado em pedir com insistência na oração” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 31 de março de 2026

(Is 49,1-6; Sl 70[71]; Jo 13,21-33.36-38) Semana Santa.

“Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho’.

Então Jesus molhou um pedaço de pão e o deu a Judas, filho de Simão Iscariotes” Jo 13,26.

“O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haverá de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes. O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelistas, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro. Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo? Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor. – Pai, faze-me viver em sintonia com Jesus, de modo que meus preconceitos não venham a influenciar minha adesão a ele (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 30 de março de 2026

(Is 42,1-7; Sl 26[27]; Jo 12,1-11) Semana Santa.

“Pobres, sempre tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis” Jo 12,8.

“Maria demonstrou a delicadeza de seu amor pelo mestre. Naquele tempo costumava-se ungir a cabeça dos hóspedes em sinal de distinção e respeito. Maria escolhe a essência mais pura e de maior preço para ungir os pés de Jesus e depois derramá-la sobre sua cabeça. Não encontrou coisa melhor e faz a oblação total, não reservando nem só uma gota daquele bálsamo. Quebra o frasco a fim de que todo o perfume se derrame sobre a cabeça de Jesus, quebra o recipiente para que tudo seja para Cristo. Mas Judas não entende de delicadezas e vê com maus olhos a ação de Maria; por isso criticou-a, e pretendeu justificar sua murmuração com as aparências de caridade para com os pobres; mas o evangelista adverte-nos que era a avareza o que o movia a falar. Jesus defende Maria. Sabia que o que a movia era o amor. Jesus assumiu a situação do homem ‘em seu nascimento, em sua vida e, sobretudo, em sua paixão e morte, em que alcançou a máxima expressão da pobreza. Por esta única razão, os pobres merecem uma atenção preferencial, qualquer que seja a situação moral ou pessoal em que se encontrem’ (Documento de Puebla 1141-1142). Nas palavras de Jesus existe não só uma descrição dos fatos (‘pobres sempre tereis convosco’), mas especialmente um chamado ‘ao compromisso autêntico com os outros homens, especialmente com os mais pobres, e pela necessária transformação da sociedade’ (João Paulo II)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria). 

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Domingo de Ramos – Ano A

(Mt 21,1-11; Is 50,4-7; Sl 21[22]; Fl 2,6-11; Mt 27,11-54) *

1. Em nossa caminhada quaresmal nos concentramos sobre a pessoa de Jesus. Vimos que Jesus é aquele que nos liberta das potências demoníacas, que nos abre o horizonte da vida eterna, que nos ilumina com a sua verdade, que nos faz ressurgir da morte do coração...

2. E assim chegamos à semana santa com a leitura, hoje e sexta, do Evangelho da paixão de Cristo. E é sobre ela que devemos nos concentrar em nossa reflexão. Vias sacras, procissões, pregações quaresmais e vivências penitenciais ajudam a muitos na reflexão desse mistério da Paixão de Cristo nesse período.

3. Em muitas dessas práticas, o nosso olhar contemplativo ajuda-nos a rezar e, porque não dizer, até nos cura. Jesus, ao conversar com Nicodemos, recorda aquela serpente elevada no deserto e que curou o povo, comparando com o que lhe acontecerá ao ser elevado na Cruz. Ele atrairá o olhar de muitos.

4. Quem olha com fé a Ele elevado na cruz, é restaurado, não só na alma, mas também nas memórias, nos afetos, e até mesmo na própria carne: “Nas suas chagas nós fomos curados”.   

5. Desse olhar, e aqui apelando para a nossa imaginação, vamos fazer três breves estações. Na 1ª delas vamos ao Getsêmani. Estamos diante de um Jesus irreconhecível! Ele, que dominava os ventos, que dizia a todos “não temer”, agora é presa da tristeza e angústia diante do sofrimento que se abaterá sobre Ele.

6. É o “pecado do mundo” que se abate sobre ele e que esmaga o seu coração como uma rocha. Imaginemos todo ódio, mentira, egoísmo e injustiças que há no mundo. É tudo isto que gera uma tristeza mortal e o suar sangue. O filósofo pascal dizia: “Cristo está em agonia, no horto das oliveiras, até o fim do mundo, não devemos deixa-lo só em todo este tempo”.

7. Cristo está em agonia onde há um ser humano que luta com a tristeza, o medo, a angústia, com uma situação sem saída, como ele naquele dia. Não podemos fazer nada pelo Cristo agonizante de então, mas podemos fazer alguma coisa pelo Cristo que agoniza hoje. Quantos hortos da oliveira, quantos Getsêmani no coração de nossa cidade!

8. Conduzamo-nos agora ao pretório de Pilatos, os soldados acabam de flagela-lo, jogam-lhe um manto nas costas, colocam-lhe uma cora de espinhos e um caniço nas mãos. Zombam dele. Tiram-lhe toda liberdade. Deixam-no imobilizado. E Pilatos o apresentará à multidão: “Eis o homem!”.

9. E podemos afirmar aqui também que Jesus se encontra no pretório até o fim dos tempos. Pensemos em todos os torturados e algemados de ontem e hoje (inocentes ou culpados que sejam), sós e impotentes, a mercê de abusadores ou policiais sem piedade, em qualquer escuro átrio de prisão, sem ninguém para intervir. “Cada vez que fizestes isso a um dos meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”.

10. Deixemos o pretório e nos conduzamos ao Calvário. Lá, já pregado na cruz, Jesus grita: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Dá um alto grito e entrega o seu espírito. Temos uma leve sensação que Jesus tenha duvidado do próprio Deus.

11. Cantalamessa dirá que, deste modo, Jesus há expiado por antecipação todo o ateísmo que existe no mundo. Não só aquele dos ateus declarados, mas aquele dos ateus práticos que vivem “como se Deus não existisse”, deixando-o em último lugar na própria vida.

12. Aqui também podemos dizer: “Jesus está pregado na cruz até o fim dos tempos”. Ele está em todos os inocentes que sofrem. Pregado na cruz nos doentes graves. Os pregos que o mantem preso a cruz são todas as injustiças cometidas para com os pobres. E nesse cenário da Cruz não podemos esquecer de José de Arimateia.

13, Ele representa todos aqueles que desafiam os regimes, sistemas e até mesmo a opinião pública, para ajudarem alguém a descer da cruz. Há muitos esperando um personagem como esse em nossos dias.

14. E não podemos nos afastar do Calvário sem dirigir um olhar à sua Mãe, Maria. Ela que viveu, em muitos momentos, o silêncio de Deus. E sabe muito bem o quanto isso nos custa. Que ela nos ensine o caminho do saber confiar e esperar.  

15. Nesses dias da Semana Santa, tanto quanto possível, permitamo-nos entrar com a mente e o coração no processo da Paixão e imaginar que também nós estávamos lá e que não nos é concedido dizer como Pilatos: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem”. Olhando de bem perto, nos damos conta que temos algo a ver...

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 28 de março de 2026

(Ez 37,21-28; Sl Jr 31; Jo 11,45-56) 5ª Semana da Quaresma.  

“E não só pela narração, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos” Jo 11,52.

“A reação dos judeus perante a ressurreição de Lázaro é dupla e contrastante: ‘’muitos’ professam a fé em Jesus; ‘outros’, pelo contrário, decretam a sua morte. A sessão do Sinédrio retoma a típica conjura contra o justo perseguido descrito nos profetas e nos salmos (cf. Is 53; Sl 31,17). Caifás coloca uma proposta oportunista; o evangelista descobre uma profecia acerca do valor salvífico da morte de Jesus. Entretanto o Filho de Deus, dominando os acontecimentos, retira-se para o deserto esperando a ‘hora’ da sua oferta total conforme o plano do Pai. [Compreender a Palavra:] O grupo influente dos fariseus juntamente com os sacerdotes convoca uma reunião do Sinédrio (a assembleia máxima oficial, político religiosa da época) para tomar finalmente uma decisão sobre ‘este homem’. Os ‘muitos milagres’ que Ele realiza são vistos como sinais de ameaça contra o poder instituído e contra a frágil tranquilidade política sob a ocupação romana. Jesus deve ser por isso eliminado. A acusação já não é blasfêmia, nem as suas ações ilegais como a violação da lei do sábado, mas atinge já o campo político. Caifás interpreta o desejo geral e o seu argumento é claro: se Jesus é possuído pelo demônio ou se foi mandado por Deus, isso pouco importa. Uma coisa só é certa: ‘É melhor para nós morrer um só homem pelo povo do que perecer a nação inteira’ (v. 30). Por outras palavras: inocenta ou culpado, Jesus deve ser sacrificado à razão de Estado. O ‘bem comum’ está acima da justiça para com o indivíduo. Mas são João lê a história numa luz superior e vê nas palavras de Caifás, pronunciadas enquanto Sumo Sacerdote, uma verdadeira profecia: Jesus morrerá, mas a sua morte dá vida a um novo povo que acolherá juntamente homens de todas as raças, culturas e nações; pela sua morte, a salvação será acessível a todos. Assim, na decisão do Sinédrio emerge misteriosamente o desígnio do Pai que deseja reunir os seus filhos dispersos no seu Filho crucificado” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 27 de março de 2026

(Jr 20,10-13; Sl 17[18]; Jo 10,31-42) 5ª Semana da Quaresma. 

“Os judeus responderam: ‘Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque, sendo apenas um homem tu te fazes Deus!’” Jo 10,33.

“Embora, Jesus jamais tivesse afirmado ‘Eu sou Deus!’, seus adversários acusavam-no de, sendo apenas um homem, pretender passar por Deus. E chegavam a esta conclusão, não por causa de uma declaração peremptória de Jesus, e sim pelo modo como ele falava e agia. Suas palavras tinham uma autoridade desconhecida, e pareciam ir de encontro a tudo quanto, até então, era ensinado como Palavra de Deus. Esta liberdade diante de uma tradição religiosa revelava, no pensar dos inimigos, que Jesus estava pretendendo ocupar o lugar de Deus. Quanto aos sinais que realizava, eram de tal modo portentosos que só das mãos de Deus poderia provir. Quem, a não ser Deus, pode curar os doentes, ressuscitar os mortos, transformar a água em vinho? Este poder criador é prerrogativa divina. Essas falsas acusações foram rebatidas com dois argumentos. O primeiro foi tirado das Escrituras, precisamente do Salmo que, referindo-se aos juízes deste mundo, declara: ‘Vocês são deuses!’. Eles, ao julgar, exercem um poder divino. Se as Escrituras fazem tal declaração, é possível aplica-la também a Jesus. O segundo é tirado da própria pregação do Mestre. Suas palavras extas foram ‘Eu sou o Filho de Deus’. Esta consciência de ser Filho era o pano de fundo de tudo quanto fazia e ensinava. Sem isto, suas palavras cairiam no vazio e seriam sem sentido. Ele é, sim, o Filho santificado e enviado ao mundo para fazer as obras do Pai. E elas são as primeiras a testemunhar em seu favor. – Pai, reforça minha fé em Jesus, em cujas palavras e ensinamentos ti fazes presente na história humana (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 26 de março de 2026

(Gn 17,3-9; Sl 104[105]; Jo 8,51-59) 5ª Semana da Quaresma.

“Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou’” Jo 8,59.

“A origem e o destino de Jesus foram motivo de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: ‘Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte’. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou’. Seus adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte.  Com Jesus, não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar sua idade bastante jovem – ‘Ainda não tens cinquenta anos...’ – para se dar conta da falsidade de sua afirmação. Este modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus. Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna. Os inimigos de Jesus eram demasiado terrenos para compreender esta linguagem. – Pai, coloca-me em sintonia com as palavras e o modo de pensar de teu Filho Jesus, para que eu possa compreender seus ensinamentos, sem deturpá-los (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 25 de março de 2026

(Is 7,10-14; 8,10; Sl 39[40]; Hb 10,4-10; Lc 1,26-38) Anunciação do Senhor.

“Por isso eu disse: Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer tua vontade” Hb 10,7.

“O autor da Carta aos Hebreus começa a parte central do seu escrito – Cristo ‘causa de salvação eterna’ (Hb 5,9) – afirmando que os sacrifícios cruentos de animais não purificam a consciência dos pecados. Depois passa ao sacrifício existencial de Jesus, feito de total e contínua adesão à vontade de Deus. Coloca nos lábios de Jesus, Verbo encarnado, as palavras do salmo 39, segundo a importante variante dos LXX que no versículo 7b tem ‘corpo’, em vez de ‘ouvidos’: ‘Preparaste-me um corpo’ (v.5b). [Compreender a Palavra:] Revivemos na fé e no amor este texto da Carta. O autor sagrado faz falar assim Jesus: ‘Tu, ó Deus, não aprecias os sacrifícios praticados segundo as quatro formas prescritas no Livro do Levítico (cf. Lv 1-7: o holocausto, a oferta de vegetais, o sacrifício pelo pecado e o sacrifício de reparação); Vós quereis a obediência a Vós, incondicional e total. Então, Eu, encarnando-me, proponho precisamente fazer a vossa vontade’). Assim, com as palavras do salmista, o autor da Carta aos Hebreus recorda a vida de obediência de Jesus ao Pai, particularmente sublinhada pelo Quarto Evangelho: ‘Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou, que Eu não perca nenhum daqueles que Ele Me deu’ (Jo 6,38-39). É por este novo sacrifício existencial – ‘cumprimento e abolição’ dos sacrifícios do Antigo Testamento (v. 9) – que ‘fomos santificados de uma vez para sempre’ (v. 10). Como veremos, Maria imita nisto o seu divino Filho” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 24 de março de 2026

(Nm 21,4-9; Sl 101[102]; Jo 8,21-30) 5ª Semana da Quaresma.

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre a haste.

Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, ficava curado” Nm 21,9.

“O Livro dos Números, o quarto do Pentateuco, apresenta um material mais homogêneo, com seções narrativas alternadas com seções legislativas. A narração está focalizada na caminha de Israel no deserto e não deixa de mencionar os vários momentos de desconfiança e de descontentamento vividos pelo povo. A narração de hoje apresenta-nos um dos mais críticos [Compreender a Palavra:] Diz-se que, para Deus, foi mais fácil fazer sair Israel do Egito, do que o Egito do coração de Israel. Quando desaparece do horizonte a meta da liberdade, então surge a saudade da escravidão; quando não se é capaz de perceber os sinais da bondade de Deus, então murmura-se contra tudo e contra todos. Deus detesta isto e castiga o seu Povo, mas embora castigando Ele usa de misericórdia e nunca deixa fechadas as portas da esperança. À oração de Moisés e de Israel que confessa o seu pecado, o Senhor indica um caminho de salvação: dirigir com fé o olhar para a serpente levantada e apontada por Ele como sinal do Seu perdão. O Novo Testamento aplicará este símbolo a Jesus levantado na Cruz (cf. Jo 3,14). A cura do homem que vive no deserto da vida, frágil perante o pecado, ameaçado pela morte, está ligada unicamente ao recurso ao Crucifixo, lugar da manifestação do amor infinito de Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 23 de março de 2026

(Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62; Sl 22[23]; Jo 8,1-11) 5ª Semana da Quaresma.

“Jesus foi para o monte das Oliveiras” Jo 8,1.

“O primeiro versículo já estabelece um nexo com a cena anterior. Terminada a pregação de Jesus, todos vão para a casa. Jesus, por sua vez, recolhe-se ao Horto das Oliveiras. Mas, no dia seguinte, retorna ao Templo. Os escribas e os fariseus trazem então à sua presença uma mulher apanhada em adultério. A lei judaica estabelece para esses casos a pena de morte. Uma pessoa que traísse o marido devia ser estrangulada. Uma noiva que se deitasse com outro homem era apedrejada. A lei judaica dava toda a razão ao homem. A esposa era propriedade dele. O marido só podia violar a fidelidade conjugal de outro casal, nunca a sua própria. Jesus defende a mulher nesse episódio. Ela possuía a mesma dignidade do homem” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

V Domingo da Quaresma – Ano A

(Ez 37,12-14; Sl 129[130]; Rm 8,8-11; Jo 11,3-7.17.20-27.33-45)*

1. Que sentido pode ter essa história de Lázaro para o nosso hoje? As histórias do Evangelho não foram escritas para simplesmente serem lidas, mas revividas. A história de Lázaro vem nos lembrar que existe uma ressurreição do corpo e também uma ressurreição do coração.

2. Sabemos que a ressurreição de Lázaro é uma realidade provisória, terrena, não tem a dimensão do novo ou da eternidade, como a de Cristo. No entanto, ele é restituído ao afeto dos seus. É um homem novo e sabe que há alguém mais forte que a morte.   

3. Essa ressurreição do coração nos é sugerida pela 1ª leitura. O profeta tem uma visão de um campo de ossos ressequidos e entende que esse representa a moral do povo de Deus, no pós exílio, que se sente perdido, sem esperança. Então o profeta dirige a eles a promessa de Deus, que é o texto que acompanhamos.

4. Este não trata da ressurreição final dos corpos, mas da ressurreição atual dos corações à esperança. De tudo isso deduzimos uma coisa que conhecemos também por experiência: que se pode estar morto em vida, mesmo antes de ... morrer.

5. E aqui não se trata tão somente da morte da alma envolta no pecado; mas também daquele estado de total ausência de energia, de esperança, de vontade de lutar e de viver, cujo nome mais adequado é morte do coração. E as razões são diversas: fracasso matrimonial, traição, doença, revés financeiro, crise depressiva, incapacidade de superar um vício...

6. Quem nos pode dar essa ressurreição do coração? Para certos males sabemos que não há remédio humano que traga solução. Palavras de consolação ou encorajamento não são suficientes. Também na casa de Marta e Maria, os judeus vieram para consolá-las, mas a presença deles não mudou nada. Foi preciso ‘mandar chamar Jesus’.

7. Invocá-lo como fazem as pessoas que estão sob escombros de desabamento ou coisa parecida, que buscam com seus gemidos a atenção dos socorristas. Se bem que muitos que se encontram nesse estado não conseguem nem rezar. Estão como Lázaro, no túmulo, precisam que outros façam alguma coisa por ele.

8. É interessante perceber que ao enviar seus discípulos em Mt 10,8, Jesus os envia a curar os enfermos e também ressuscitar os mortos. E sabemos que se pode contar nos dedos das mãos os santos que chegaram a realizar tal coisa literalmente. Jesus entendia, sobretudo, os mortos no coração, os mortos espirituais. Na parábola do filho pródigo, assim o Pai define o estado do filho: “estava morto e voltou a viver...” nada físico, apenas seu retorno para casa.

9. Podemos tomar também para nós esse mandato de Cristo de ressuscitar os mortos. Basta estarmos atentos a certas situações que nos cercam. Um exemplo: Quem tem pais anciãos em casa ou num asilo? Talvez o coração destes esteja morto pelo silêncio dos filhos. Que tal ligar e prometer vista-los?

10. Seu esposo ou esposa se ausentou de casa depois de mais um desencontro entre ambos? Telefona-lhe, e faz renascer no seu coração a esperança. Sãos situações que nos desafiam a não deixar morrer...

11. Certamente não podemos perder de vista aqueles que vivem em estado de pecado grave, mortos na alma. Também para estes o caminho da conversão permanece aberto, na esperança. A estes, sobretudo, a ressurreição de Lázaro deveria colocar em seu coração, nesta Páscoa, o desejo de ressurgir.

12. Entre as obras de misericórdia que muitos aprenderam desde pequeno, havia uma que dizia: “Sepultar os mortos”; agora sabemos que entre as obras de misericórdia tem aquela de “ressuscitar os mortos” ... Nesses novos tempos a necessidade se faz mais presente e urgente.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 21 de março de 2026

(Jr 11,18-20; Sl 07; Jo 7,40-53) 4ª Semana da Quaresma.

“Ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: ‘Este é, verdadeiramente, o Profeta”

Jo 7,40.

“A pregação de Jesus produz profunda impressão nas pessoas que o escutam. Observam que ele tem algo de extraordinário, que acontece nele e somente nele. Jesus fala em nome do Pai que o enviou; por isso Jesus é o Profeta do Pai; o que Jesus ensina não é doutrina, mas a doutrina do Pai. Jesus quer levar-nos todos para o Pai; assim ele cumpre sua missão profética. O cristão, por seu batismo, participa da missão profética de Jesus. O cristão, por isso mesmo, tem de cumprir sua missão tomando consciência de que é o profeta de Jesus, enviado por Jesus ao mundo para transmitir a doutrina, a palavra, a mensagem de salvação do Senhor. O cristão tem de ser um profeta querigmático, ao anunciar ao mundo: ‘Dela foi constituído ministro, em virtude da missão que Deus me conferiu de anunciar em vosso favor a realização da palavra de Deus, mistério este que esteve escondido desde a origem às gerações passadas, mas que agora foi manifestado aos seus santos’ (Colossenses 1,25-26). Pregar esse mistério de salvação, dá-lo a conhecer, comunica-lo com fidelidade, essa é a missão do cristão como profeta. Não seja você um profeta infiel, que se desvie de sua missão, pregando a você mesmo em lugar de pregar a Cristo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 20 de março de 2026

(Sb 2,1.12-22; Sl 33[34]; Jo 7,1-2.10.25-30) 4ª Semana da Quaresma.

“Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora” Jo 7,30.

“A vida de Jesus estava toda colocada nas mãos do Pai. Com esta consciência, ele enfrentava os desafios do ministério, sem se deixar abater pelos mal-entendidos, pelas hostilidades evidentes ou veladas ou mesmo pela ameaça de morte que pairava sobre a sua cabeça. Sua coragem manifestava-se na maneira aberta com que proclamava sua doutrina, em plena Jerusalém – no Templo –, mesmo sabendo que os judeus buscavam matá-lo. Importava-lhe unicamente manter-se fiel a quem o enviou, pois não tinha vindo por si mesmo, nem proclamava uma doutrina de sua autoria e propriedade. As hostilidades contra ele provinham do desconhecimento do Pai. Logo, fruto da ignorância! Bastava que se abrissem para o Pai, para estarem em condições de compreender a veracidade do testemunho de Jesus. A vida do Filho estava nas mãos do Pai. Isto impedia que os adversários assumissem o controle do destino de Jesus. Por isso, em vão, procuravam detê-lo e infligir-lhe a pena capital. ‘Sua hora ainda não chegara’. A coragem do Mestre serviu de exemplo para os discípulos, sobretudo nos momentos difíceis de seu ministério apostólico. Também a vida deles estava nas mãos do Pai. Sendo assim, nenhum inimigo, por pior que fosse, haveria de se transformar em senhor de seus destinos. Somente o Pai pode determinar a hora de cada um! – Pai, minha vida está colocada em tuas mãos, pois tu és o Senhor do meu destino. Movido por esta certeza, dá-me a graça de testemunhar, com coragem, o teu Reino (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 19 de março de 2026

(2Sm 7,4-5.12-14.16; Sl 88[89]; Rm 4,13.16-18.22; Mt 1,16.18-21.24) São José, esposo da Virgem Maria.

“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado” Mt 1,24.

“Mateus dá início ao seu escrito com uma longa genealogia sobre ‘Jesus, filho de Davi’ (Mt 1,1) e desenvolve-a até ‘José, esposo de Maria’ (v. 16). Assim José tornou-se o ponto de chegada. No texto sucessivo (cf. Mt 1,18-24), parcialmente utilizado na liturgia, o anjo explica, durante o sono, a José, ‘filho de Davi’ (v. 20a), que Maria concebeu por obra do Espírito Santo; pede-lhe que a receba em sua casa e que dê ao Menino o nome de ‘Jesus’ (v. 21). José, o justo, obedece prontamente. [Compreender a Palavra:] No evangelho da infância, Mateus atribui, depois de Jesus, um lugar central a José, os três blocos de nomes que se sucedem na lista genealógica, composto cada um por catorze ‘personagens’ (cf. Mt 1,17), pretendem talvez chamar a atenção para o nome ‘Davi’, que no equivalente numérico das consoantes hebraicas (DVD), leva precisamente ao número ‘catorze’. Neste caso, as três grandes expectativas que certamente vão dar a Jesus – a patriarcal, a monárquica e a pós-exílica – trazem também o sinal de José o qual, como ‘filho de Davi’, transmite a descendência davídica ao Filho de Maria. Igualmente na narração da concepção virginal, Mateus tem presente José na sua específica qualificação de ‘justo’ (v. 19): é o homem prudente que estima demasiado Maria para a acusar, é o homem humilde que aceita a missão honorífica de dar ao recém-nascido o nome de ‘Jesus’ (v. 21), é o homem obediente (v. 24a). A nossa devoção a São José deve levar-nos a imita-lo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 18 de março de 2026

(Is 49,8-15; Sl 144[145]; Jo 5,17-30) 4ª Semana da Quaresma.

“Isto diz o Senhor: ‘Eu atendo teus pedidos em favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa’” Is 49,8

“No segundo Isaías (cf. Is 40—55), livro composto durante o exílio, depois do segundo cântico do servo de JHWH (cf. Is 49,16) encontramos uma descrição enfática do regresso de Israel à pátria e da reconstrução de Jerusalém. É um anúncio de alegria e de esperança que envolve todo o cosmos. Toda a humanidade, os céus, a terra e os montes são convidados a exultar conjuntamente porque o Senhor não se cansou e não se esqueceu das Suas criaturas frágeis e inconstantes: o seu amor é perene. [Compreender a Palavra:] Israel experimentou repetidamente o amor carinhoso do seu Deus; toda a história é ‘tempo de misericórdia’, ‘dia da salvação’. Apesar da infidelidade do povo, o Senhor não consegue ‘esquecê-lo’. Depois de um período de purificação e de exílio, o Senhor está disposto a fazer ‘ressurgir o povo’, a reunir de novo os filhos dispersos de Israel, a prometer-lhes novas maravilhas. Não se apresenta como o soberano onipotente e majestoso, nem como juiz implacável, mas ‘aquele que tem compaixão’, que ‘consola’, que ‘conduz o seu Povo às nascentes de água’; como uma mãe carinhosa que cuida dos seus filhos e se comove por eles. São imagens cheias de calor humano, que dizem como Deus está ligado às Suas criaturas e como toma a peito a sorte delas. O Novo Testamento irá revelar-nos como este amor leva Deus a fazer-se homem e dar a vida por nós” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 17 de março de 2026

(Ez 47,1-9.12; Sl 45[46]; Jo 5,1-16) 4ª Semana da Quaresma

“Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: ‘É sábado! Não te é permitido carregar tua cama’” Jo 5,10.

“Jesus cura no sábado. Por isso mesmo surge, depois da cura, uma longa discussão com os judeus. A cura no sábado revela que o homem foi criado originalmente por Deus. No início, Deus soprou no ser humano o hálito da vida. Àquela altura, o homem estava intimamente ligado a Deus. Mas o homem se separou de Deus cortando a ligação que o unia a ele. Foi isso que o fez ficar doente. Jesus entende o sábado como a comemoração da dignidade original do ser humano. O culto cristão consiste em celebrar a criação da maneira como ela foi feita por Deus. Em toda celebração eucarística pode-se experimentar no ser humano a força curadora e renovadora de Deus. Quando os cristãos se reúnem no domingo para cultuar Deus encontram Jesus o médico divino que supera todos os médicos da Antiguidade. Ele não precisa de rituais especiais: basta a sua palavra para despertar a vida nos homens. A sua palavra nos põe em contato com a fonte interior” (Anselm Grüm – Jesus: Porta para a Vida – Loyola).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Segunda, 16 de março de 2026

(Is 65,17-21; Sl 29[30]; Jo 4,43-54) 4ª Semana da Quaresma.

“Esse foi o segundo sinal de Jesus. Realizou-o quando voltou da Judeia para a Galileia” Jo 4,54.

“O evangelista João chama de sinais os fatos portentosos realizados por Jesus no exercício do seu ministério messiânico. Eles não pretendem ser uma prova da identidade de Jesus, nem tampouco visam forçar as pessoas a abraçarem a fé. Os sinais são manifestações da glória de Jesus para quem está disposto a lançar-se na dinâmica da fé. Indicam que nele existe algo que pode conduzir à fé, desde que bem entendido. Sem ela, será impossível identificar os feitos de Jesus como sinais. Eles possibilitam, a quem se aproxima de Jesus, penetrar no mistério divino, presente na história humana; permitem contemplar Deus atuando em favor da humanidade. Por outro lado, dão a entender que, em Jesus, a salvação torna-se realidade. O Deus invisível faz-se visível na ação de Jesus. Todos estes elementos estão presentes no sinal relatado pelo Evangelho. O funcionário real acredita que Jesus pode salvar-lhe o filho, que está a beira da morte. Como resposta, recebeu a notícia de ir para casa, pois seu filho já estava curado. Ao receber a notícia da cura, informou-se sobre a hora exata em que acontecera. E constatou ter sido a mesma hora em que Jesus lhe garantira a cura do filho. Por isso, ‘ele acreditou, e toda a sua casa’. O sinal levou o funcionário real à fé, porque estava predisposto a acolher Jesus. Neste caso, fez surtir o efeito desejado: foi gerador de fé. – Pai, dá-me sensibilidade para descobrir, nos sinais realizados por Jesus, a presença de tua mão amiga atuando em favor da humanidade (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

IV Domingo da Quaresma – Ano A

(1Sm 16,1.6-7.10-13; Sl 22[23]; Ef 5,8-14; Jo 9,1.6-9.13-17.34-38)*

1. A narrativa sobre o cego de nascença nos remete, simbolicamente, ao estado de visão, como a temos, que a ciência afirma ter passado por um processo evolutivo. Os primeiros seres não tinham olhos para ver, nem existia o ver em si. O olho, em sua complexidade e perfeição, é uma das funções que se formou bem tarde.

2. Assim podemos imaginar com que assombro os primeiros seres começaram a ver o céu sobre as suas cabeças, as cores e verem-se. Um salto de qualidade na evolução da vida. Se um bebê pudesse expressar esse momento em que começa a ver claramente o rosto da mãe, das pessoas, das coisas... seria um hino à luz, à visão!

3. O ver é um milagre que nos habituamos e que só nos damos conta se existe uma ameaça de perde-lo. Os cegos que ao longo do Evangelho receberam a cura, funcionam como algo para nos deixar atentos. Como um professor que vendo seus alunos desatentos, bate fortemente as mãos para despertá-los.  

4. Mas tais narrativas não foram construídas somente para a importância dessa realidade material, mas para uma outra questão: o olhar da fé! Esse permite vislumbrar um outro mundo para além daquele que vemos com os olhos do corpo: o mundo de Deus, a vida eterna, o mundo do Evangelho. A fé é como uma janela que se abre diante de horizontes ilimitados.

5. Diferentemente de outras curas, Jesus envia o cego à piscina de Siloé para lavar-se. Aqui vislumbramos que Jesus queria significar esse olhar diverso, da fé, que começa com o batismo, onde recebemos o dom da fé. No passado o batismo era chamado de “iluminação”.

6. Claramente o Evangelho não trata de uma fé genérica em Deus, mas de crer em Cristo. O Evangelista nos quer mostrar como se chega a uma fé plena e madura no Filho de Deus. É fácil perceber essa progressiva descoberta de quem é Jesus motivada pelas várias perguntas que fazem ao cego de nascença ao longo da narrativa: ele é um homem, um profeta, ele é o Senhor.

7. Pontuando esses elementos, é como se o Evangelista nos convidasse discretamente a perguntar-nos: “E eu, em que ponto estou do meu caminho? Quem é Jesus de Nazaré para mim?” Que seja um homem, a história não o nega. Que foi um profeta, um enviado de Deus, que abriu novos horizontes religiosos e morais, isso se admite quase universalmente.

8. Mas muitos param por aqui. Mas não basta. Até um mulçumano, se é coerente com aquilo que diz o Alcorão, reconhece que Jesus é um profeta, mas nem por isso se considera um cristão. O salto mediante o qual se torna um cristão em sentido próprio é quando se proclama, como o cego, Jesus é “Senhor” e o adora como Deus.

9. A razão para darmos este salto está no fato de Jesus ser apresentado ao mundo como Filho de Deus e que chamava a Deus de seu Pai de um modo único, diferente de todos. É o testemunho global do Novo Testamento. Ou ele é o que declara ser, ou é o maior impostor da história e o cristianismo não passa de um equívoco. Não existe meio termo.

10. Mas como Jesus não apaga o “pavio que ainda fumega”, isto é, não rejeita quem ainda está estacionado no “homem” ou no “profeta”, se é honesto consigo mesmo. Quem está em busca da verdade, não andará muito para encontrar Cristo, porque Ele é a verdade.

11. Este evangelho do cego de nascença nos oferece também ocasião para a reflexão entre fé e razão, o eterno problema que persiste também para o ser humano em conciliar as duas coisas. Crer, tanto quanto enamorar-se, não nasce de um estudo, pesquisa ou coisa do gênero. Se enamora e se crê porque se encontrou alguém digno desse amor, dessa fé, alguém que inspira confiança.

12. A fé cristã não é primeiramente crer em alguma coisa (que Deus existe, que existe a eternidade...), mas o crer em alguém: Jesus Cristo. A dificuldade de muitos em crer está relacionada ao fato de jamais terem encontrado Jesus. Se alguém quer saber se lá fora faz sol ou não, tem um caminho mais simples que buscar as previsões nos meios de comunicação: abra a janela e olhe lá fora.

13. A nossa janela são as páginas do Evangelho. Não só o Evangelho escrito, mas o Evangelho vivido hoje e feito credível em tantos testemunhos. A fé – especialmente a fé em Cristo – se transmite por contágio. Se não conseguimos ainda gritar como o cego de nascença: “Eu creio, Senhor!”, digamos, ao menos, como outro personagem evangélico: “Senhor, aumenta minha fé!”.  

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 14 de março de 2026

(Os 6,1-6; Sl 50[51]; Lc 18,9-14) 3ª Semana da Quaresma.

“Eu vos digo, este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado

e quem se humilha será elevado” Lc 18,14.

“A parábola exposta por Jesus apresenta-nos duas posições opostas que o homem pode adotar perante Deus; simbolizada pelo fariseu, é a posição do homem autossuficiente que pensa que não precisa de ninguém, nem mesmo de Deus. Com essa posição, aquele que se sente autossuficiente fecha-se dentro de si mesmo e chega a desprezar o resto dos homens, dos quais ele pensa que para nada precisa. É o culto egolátrico da própria personalidade e das qualidades e talentos pessoais. Tudo isso é visto em tom de superioridade e de desprezo que emprega na oração, em relação aos outros. A outra posição é a adotada pelo publicano que é profunda humildade. O publicano chega a esta atitude por um trabalho de sincera introspecção, pelo qual olha para si mesmo verdadeira e honestamente e se reconhece pecador e, portanto, necessitado do amor de Deus. Esse sentimento de humildade faz com que se abra e se apoie na infinita misericórdia de Deus, da qual confessa ter necessidade e a ela suplica firmemente. A atitude adotada pelo publicano, por seu humilde, leva-o a não fixar-se nos outros e a não julgar ninguém, mas tão somente a si mesmo. A humildade é o fundamento de todas as outras virtudes. Diz São Gregório: ‘Quem acumula virtudes sem humildade é como quem atira pó ao vento’. Jesus pronuncia sua sentença sobre a atitude soberba do fariseu e a atitude humilde do publicano: O primeiro, cheio de si mesmo, volta vazio de Deus; o segundo, vazio de si mesmo, vê-se envolto pelo amor e a misericórdia de Deus. A oração humilde justifica, isto é, torna o homem aceitável a Deus, enquanto a soberba fecha as portas da misericórdia de Deus. Se a humildade sempre é necessária em todos os atos de nossa vida, o é de maneira especial na oração, visto que a oração nada mais é que o reconhecimento de nossa impotência. Consequentemente, a súplica com que recorremos a Deus, para que remedeie nossas necessidades, é um pedido para que venha em nosso auxílio, uma vez que reconhecemos que somos incapazes de salvar-nos e socorrer-nos a nós mesmos” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 13 de março de 2026

(Os 14,2-10; Sl 80[81]; Mc 12,28-34) 3ª Semana da Quaresma.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão a misericórdia” Os 14,4.

“Os elementos desta confissão de fé de Oseias, com que termina o seu livro, sublinham as recriminações dirigidas pelo profeta ao povo, ao longo de toda a sua missão. A Assíria já não será a fonte da sua segurança, o povo não confiará nas suas próprias forças, nem os ídolos serão considerados divindades por Israel. Deus, que sente para com Israel uma grande ternura, como em relação aos órfãos, curá-lo-á e conduzi-lo-á a uma plenitude de vida. [Compreender a Palavra:] A chave do trecho de Oseias está no v. 2: ‘Israel, volta para o Senhor, teu Deus’. É sublinhada aqui toda a atitude do passado: da confiança na Assíria (cf. Os 5,13; 7,11; 8,9; 12,2) à confiança nas próprias forças (cf. 8,14; 10,13), nos cavalos (com uma menção provável ao Egito, que praticava o comércio de cavalos), nas divindades feitas com as próprias mãos (cf. 2,10; 4,7.17; 8,4-6; 10,3.6; 11,2; 13,2). Deus sente uma enorme ternura pelo seu Povo: põe de lado a Sua ira para dar descanso a Israel, que crescerá como viçosa, entre odores e cores. O Senhor, e não os deuses da fertilidade aos quais os hebreus se tinham dirigido inutilmente, responderá (cf. Os 2,23-25). Destes versículos transparece o amor terno de JHWH pelo seu Povo, até mesmo seu ciúme, querer guardá-lo para Si, para que não se perca correndo atrás dos ídolos que não podem dar a vida” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 12 de março de 2026

(Jr 7,23-28; Sl 94[95]; Lc 11,14-23) 3ª Semana da Quaresma.

“Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus” Lc 11,20.

A presença do Reino de Deus na história da humanidade revelava-se no poder de Jesus de expulsar os demônios, libertando todo ser humano desse poder opressor. Essa libertação significava a retomada do senhorio de Deus na vida de quem era dominado pelo maligno, possibilitando-lhe, novamente, a vivência do amor e da solidariedade. Jesus personificava o Reino de Deus na medida em que estava todo centrado no Pai, cujas obras buscava realizar. Em suas ações, revelava-se ‘o dedo de Deus’ na ida de tantas pessoas privadas da sua dignidade. Contudo, isto não era evidente! Só quem estava sintonizado com Jesus tinha condições de perceber Deus agindo por meio dele. Caso contrário, corria-se o risco de interpretá-lo mal e fazê-lo objeto de falsas acusações. Foi o que aconteceu quando o acusaram de agir com poder de Belzebu, o chefe dos demônios. Ou quando exigiam dele sinais sempre mais mirabolantes, como prova da autenticidade do seu messianismo. O fato de ser incompreendido não impedia Jesus de seguir adiante. Movia-o somente a consciência de dever ser fiel ao Pai. Por isso, não cessava de dar testemunho do amor que Deus derrama sobre a humanidade. – Pai, transforma-me em instrumento de teu amor misericordioso, a exemplo de Jesus. Por onde eu passar, possa ser testemunha de que o Reino já chegou para nós (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 11 de março de 2026

(Dt 4,1.5-9; Sl 147[147B]; Mt 5,17-19) 3ª Semana da Quaresma.

“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” Mt 5,17.

“Até que ponto o Evangelho nos liberta? Estamos habituados a pensar em Jesus somente em termos de renovação e cumprimento e que Ele vem dizer-nos que ‘a Lei e os Profetas’ não são abolidos, que os preceitos e ensinamentos que contêm permanecem em todo o seu vigor. De fato, o cumprimento do Evangelho a perfeição do senhorio de Deus, o Reino, jamais poderão significar o cancelamento da Palavra de Deus (= ‘a Lei e os profetas’). Um cristianismo assim não poderia manter-se: seria como se não tivesse alicerces nem raízes. Não, Jesus veio levar à perfeição o que estava contido no Antigo Testamento. Nem sequer o mais pequeno sinal pode ser abolido sem que todo o resto fique destruído. Trata-se de fazer ver como a vida está presente debaixo do pó com que nós cristãos envolvemos os livros das Escrituras. Tudo fala de Cristo, tudo anuncia Cristo: em cada um dos preceitos está a Palavra que salva, em cada página das Escrituras Deus quis manifestar-se aos homens o mistério da Sua vontade de salvação, revelando- Se a Si mesmo. Esta comunhão com o povo hebreu e com Jesus hebreu permite-nos compreender a nossa fé num sentido que amiúde desconhecemos. Então, a perfeição que Cristo veio realizar não pode ser senão a valorização do próprio desígnio divino iniciado em Abraão” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 10 de março de 2026

(Dn 3,25.34-43; Sl 24[25]; Mt 18,21-35) 3ª Semana da Quaresma.

“Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti?” Mt 18,33.

“Nós ofendemos a Deus; a gravidade de nossos pecados supera em muito o que possamos ter recebido de nosso próximo. Não nos esquecemos que os pecados que nós cometemos contra Deus têm uma gravidade infinita, visto que a gravidade de uma ofensa se mede não pela pessoa que pratica, mas pela dignidade da pessoa que é ofendida; e neste caso o ofendido é Deus, infinito em santidade e dignidade. Essa nossa dívida para com Deus, expressa na parábola por cifra exorbitante, é uma dívida que nós não podemos cancelar e, por isso, devemos recorrer à infinita misericórdia do Senhor que não olha a imensidade de nossas ofensas, mas o infinito amor que nos tem como filhos. Na parábola, o rei perdoou generosamente a dívida de seu servo e, por sua vez, o servo não quis perdoar a seu companheiro a insignificante dívida que tinha com ele. O servo sem misericórdia condenou-se a si próprio com sua reprovável conduta. Não é, com efeito, justo que, se nós pedirmos perdão de nossos pecados a Deus, perdoemos também nós as ofensas que nosso próximo ter-nos inferido?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 09 de março de 2026

(2Rs 5,1-15; Sl 41[42]; Lc 4,24-30) 3ª Semana da Quaresma.

“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” Lc 4,24.

“A hostilidade do povo de Nazaré, cidade onde fora criado, levou Jesus a redimensionar a sua missão, dando-lhe uma dimensão muito mais ampla do que inicialmente ele imaginava. No bojo da mentalidade judaica, Jesus sentiu-se responsável pelo anúncio da salvação, em primeiro lugar, aos judeus. Povo da Aliança, eleito para ser o povo predileto de Deus, os judeus sabiam-se privilegiados em termos messiânicos. O Messias seria enviado a eles, para proclamar-lhes libertação e salvação. Entretanto, Jesus experimentou hostilidade e rejeição ao exercer seu papel de Messias junto ao povo de sua cidade. Suas palavras e seus gestos poderosos foram alvo de críticas maledicentes, reveladoras de incredulidade. Os que o ouviam enceram-se de tamanha cólera, a ponto de querer jogá-lo a princípio, para eliminá-lo. Repensando a experiência de profeta do passado, como Elias e Eliseu, e a rejeição que sofreram, Jesus detectou um fato importante: a hostilidade do povo judeu levou povos estrangeiros a beneficiarem-se dos poderes taumatúrgicos dos profetas. Elias socorreu a pobre viúva da Fenícia, e Eliseu curou a lepra de Naaman, general da Síria. Se o povo de Nazaré recusava-se a acolher o Messias Jesus, este sentia-se impelido a tornar os não-judeus destinatários de seu ministério messiânico. – Pai, que eu saiba acolher Jesus e reconhece-lo como Filho de Deus, de modo a tornar-me beneficiário de seu ministério messiânico (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

III Domingo da Quaresma – Ano A

(Ex 17,3-7; Rm 94[95]; Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-42)*

1. Esse episódio que acabamos de acompanhar gira em torno do simbolismo da água.  Um dos elementos do Batismo. Uma mulher da Samaria vem buscar água e Jesus, cansado, lhe pede de beber. Se instala um diálogo que começa pelo preconceito racial, enveredando para algo que transcende o simples elemento material.

2. Percebemos que dois tipos de água são colocados em contraste, indicando dois modos de conceber e de realizar a própria vida, dois objetivos, dois horizontes diversos. E assim podemos encaminhar nossa reflexão

3. A mulher tem buscado dar um sentido a sua vida e encher o vazio do seu coração com o amor de um homem. Mas inutilmente, faz notar Jesus. Até esse momento ela bebe de uma água que não é capaz de extinguir a sua sede, isto é, ela busca a felicidade onde ela não está, ou onde se dá de maneira breve.

4. À Samaritana, e a todos que se reconhecem nesse personagem, Jesus faz uma proposta radical: buscar uma outra ‘água’, dar um sentido e um horizonte novo à própria vida. Um horizonte eterno: “A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

5. A palavra “eternidade”, tempos atrás, catalisava os pensamentos de todos e ajudava a suportar com mais coragem as dificuldades da vida. Hoje ela se encontra um tanto em desuso. Quase uma espécie de tabu, como se ela tolhesse o esforço concreto e histórico de mudar esse mundo.

6. O resultado dessa mudança de cenário é que a vida, a dor humana, tudo se torna um grande absurdo. Se perdeu a medida, o equilíbrio, o peso, como numa antiga balança de dois pratos. Falta o contrapeso da eternidade. Assim todo sofrimento, todo sacrifício aparece como um absurdo, desproporcional. Puxa-nos pra baixo.  

7. Paulo lembrava aos seus leitores: “A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se veem, mas sim as que não se veem” (2Cor 4,17-18).

8. Talvez alguém nos diga que é necessário viver, que é necessário contentar-se com essa vida. E quem não se contenta? Não é quem deseja a eternidade que demonstra não amar essa vida, mas quem não a deseja, resignando-se facilmente ao pensamento que é só isso e que terá um fim.

9. Na vida de cada um de nós tem um momento em que nos vem qualquer intuição sobre a eternidade, um lampejo, um sentimento, ainda que confuso, do infinito.

10. Como quem olha, calmamente para o céu ou o mar ou outro espetáculo da natureza que o atrai, esvaziando de tudo a mente, para sentir, por um instante, a emoção do eterno e do infinito. O sentido de eternidade dorme dentro de nós. Há quem busque essa sensação no naufrágio da mente, nas drogas e outras coisas que ao fim, só resta desilusão e morte.

11. Mas não basta saber que existe a eternidade, é necessário saber como se faz para atingi-la. Como pergunta aquele jovem rico do Evangelho: “Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna?”. Comecemos por familiarizarmo-nos de novo com esta palavra. Isto já seria um grande ganho para a nossa sociedade, não só para Igreja.  

12. Nos ajudaria a reencontra o equilíbrio, a relativização das coisas, a não cair no desespero diante das injustiças e das dores do mundo. A viver menos freneticamente.

13. A nossa amiga Samaritana, no momento em que entendeu as palavras de Jesus, tornou-se também uma evangelizadora. Volta ao seu povoado e, sem constrangimento, partilha o que lhe disse Jesus. A coisa mais bonita e importante para um pregador é ouvir aquilo que disseram os compatriotas dela: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmo ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo”.

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 7 de março de 2026

(Mq 7,14-15.18-20; Sl 102[103]; Lc 15,1-3.11-32) 2ª Semana da Quaresma.

“Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver;

estava perdido e foi encontrado” Lc 15,32.

“A exaltação da misericórdia e da benevolência divinas da primeira leitura está em sintonia com a página estupenda do Evangelho, autêntica proclamação da grandeza insondável do amor de Deus. Outra página justamente famosa redigida pelo ‘escritor da mansidão de Cristo’: o evangelista São Lucas, que aqui narra o coração do amor misericordioso de Deus por todos os homens. A guiar-nos na reflexão temos o pai, obstinado no perdão, que espera o regresso do filho mais novo, depois de ter experimentado a lonjura do pecado, a solidão completa e a esperança da liberdade. Mas este pai está obstinado também em procurar trazer para casa o filho mais velho e com isso a reconciliação deste com o irmão. O filho mais velho vive no desprezo do outro irmão e, talvez, do pai. Temos alguém que faliu longe de casa e alguém que ficou prisioneiro da sua mesquinhez e do juízo injusto para com o próprio pai: como é difícil o ‘papel’ desempenhado por Deus! Mas há necessidade deste pai que, como escreveu G. K. Chesterton: ‘ama tanto o seu filho que o apanha com um azol invisível e com uma linha de pesca invisível, que é suficientemente grande para o deixar vaguear até os confins do mundo e, no entanto, fazê-lo regressar com um só puxão da linha’” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 06 de março de 2026

(Gn 37,3-4.12-13.17-28; Sl 104[105]; Mt 21,33-43.45-46) 2ª Semana da Quaresma.

“Escutai esta outra parábola: certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a um vinhateiro e viajou para o estrangeiro” Mt 21,33.

“Mais uma vez Jesus fala em parábola, que é uma alegoria completa, visto que cada aspecto tem um significado: o pai é Deus; a vinha é povo eleito de Israel; os servos são os profetas; o filho é Jesus, morto fora das muralhas de Jerusalém; os vinhateiros homicidas são os judeus infiéis; o outro povo ao qual se confiará a vinha são os pagãos. O mesmo evangelista um pouco mais abaixo, declara: ‘Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava’ (Mateus 21,45). Por sua vez, Jesus aqui, mais que repetir a parábola da vinha de Isaías traz (5,1-7), suficientemente conhecida elos israelitas, faz uma aplicação da mesma. Assim como o pai de família fez pela vinha quanto dependia dele, cuidando dela com solicitude extrema, assim também o Senhor cuidou do seu povo Israel, e cuida agora de seu povo cristão com intensa solicitude. Os frutos exigidos pelo Senhor da vinha são a observância da lei e as boas obras: obras de justiça e de caridade, santidade de vida. Um escritor faz a seguinte aplicação dessa parábola: a vinha é a nossa alma plantada por Deus, adornada com sua graça, cuidada com solicitude por meio de suas inspirações e de seus sacramentos. Nós somos os colonos que devemos trabalhar para conseguir o fruto, que são as boas obras. O Senhor envia seus servos que são os seus sacerdotes ou suas inspirações e os próprio acontecimentos da vida, para que nos incitem à produção dos frutos, que são as boas obras e o aperfeiçoamento de nossa vida. Se nós não nos importarmos com essas moções, seremos semelhantes àqueles vinhateiros da parábola e merecermos o castigo por termos desprezado as admoestações de Deus e não termos produzidos os frutos de santidade que o Senhor tem direito de esperar de nós” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 05 de março de 2026

(Jr 17,5-10; Sl 01; Lc 16,19-31) 2ª Semana da Quaresma.

“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.

Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico” Lc 16,19-20.

“A parábola evangélica é um alerta premente contra o perigo da riqueza e as consequências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação. O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes, apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias. Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoísticas. A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era lhe desconhecido. Sua fama contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados. O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o sofrimento do próximo. – Pai, não permitas que nada neste mudo me impeça de ver o sofrimento de meu próximo e fazer-me solidário com ele” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 04 de março de 2026

(Jr 18,18-20; Sl 30[31]; Mt 20,17-28) 2ª Semana da Quaresma.

“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e os mestres da Lei. Eles o condenarão à morte” Mt 20,18.

“No Evangelho de Mateus, ao terceiro anúncio da Paixão, encontramos uma voz dissonante. Trata-se da mãe de Tiago e João que faz um pedido especial em favor dos filhos: terem o primeiro lugar. Mas não será isto que Jesus poderá conceder-lhes, e sim a participação na sua Paixão. [Compreender a Palavra:] Jesus anuncia pela terceira vez a terrível sorte que O espera em Jerusalém, revelando dois pormenores muito precisos (vv. 18-19) em relação aos dois anúncios precedentes (Mt 16,21; 17,22-23). Da parte dos discípulos – embora a voz seja a da mãe de Tiago e João – chega um pedido completamente fora de lugar. Não é o primeiro lugar a prioridade que se coloca diante dos discípulos de Cristo, mas sim a completa comunhão com Ele na Paixão. Está fora de lugar também a indignação dos outros dez contra Tiago e João: também a eles o Mestre diz que o serviço que deverão prestar não se modela sobre o dos governantes e dos chefes, os quais dominam e oprimem com a sua autoridade e o seu poder, mas sobre o seu exemplo: Ele ‘não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para a redenção dos homens’ (v. 28). A predição de Jesus revela o Seu conhecimento da já próxima humilhação da morte, mas ao mesmo tempo da certeza da Sua Páscoa de Ressurreição” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma Páscoa] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 03 de março de 2026

(Is 1,10.16-20; Sl 49[50]; Mt 23,1-12) 2ª Semana da Quaresma.

“Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado” Mt 23,12.

“Jesus dá belos exemplos de humildade em sua vida terrena. De si mesmo afirma: ‘O Filho do Homem veio não para ser servido, mas para servir’ (Mateus 20,28). ‘Mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz’ (Filipenses 2,7-8). E no próprio Jesus cumpriu-se a afirmação da exaltação do humilde, segundo diz o apóstolo São Paulo: ‘Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes’ (Filipenses 2,9). ‘Servir’ há de ser o lema cristão, sobretudo se é ocupante do alto posto em dignidade, segundo a máxima já conhecida: ‘Aquele que não vive para servir, não serve para viver’. Todo aquele que ocupar alto posto na sociedade, tem de pensar que o importante não é brilhar, mas servir amando, ou se preferir: amar servindo” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite