Quarta, 17 de junho de 2026

(2Rs 2,1.6-14; Sl 30[31]; Mt 6,1-6.16-18) 11ª Semana do Tempo Comum.

“... de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” Mt 6,4.

“Os discípulos de Jesus foram alertados a respeito das formas indevidas de praticar a religião, de modo especial, o exibicionismo nas práticas religiosas, com o intento de granjear louvores e admiração. Esta preocupação minimiza o que se faz com a intenção de agradar a Deus. A recompensa divina. Tomando três práticas típicas de piedade – a esmola, a oração e o jejum –, Jesus pôs em confronto a maneira incorreta e a correta de praticá-las. A forma incorreta é a atitude dos hipócritas. Estes mandam tocar trombetas quando vão dar esmolas, para chamar a atenção dos passantes; rezam nas sinagogas e nas praças, de maneira ostentatória para serem contemplados em atitude de oração; quando estão jejuando, fazem questão de apresentar um semblante ascético e abatido, dando-se ares de penitentes. A forma correta de viver a piedade é bem outra. Nela o fiel busca ser visto unicamente por Deus. O reconhecimento humano é dispensado, pois não tem valor algum. Basta que o Pai veja a esmola dada de maneira discreta. A oração deve ser feita no recolhimento do quarto, pois só o Pai será testemunha da sinceridade com que é feita. Por ocasião do jejum, aconselhava-se a lavar o rosto e a perfumar a cabeça. Assim, somente o Pai verá o que se passa no coração de quem jejua. Engana-se quem procura agradar a Deus por um caminho diferente daquele indicado por Jesus. – Pai, só te agradam as ações feitas na simplicidade e no escondimento. Que eu procure sempre agradar-te, enveredando por este caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 16 de junho de 2026

(1Rs 21,17-29; Sl 50[51]; Mt 5,43-48) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías,

porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar” 1Rs 21,22.

“O mal cometido não passa despercebido, embora muitas vezes aqueles que o conhecem se tornem cúmplices e até Deus parece calar-se. Aquilo que a Escritura diz no caso do duplo pecado de Davi, com e por causa de Betsabeia vale também para Acab: ‘Deus reprovou o que Davi tinha feito’ (2Sm 11,27). O profeta, verdadeira consciência moral de povo e do rei, tem a missão de enfrentar Acab para o chamar às suas responsabilidades. [Compreender a Palavra:] Tal como Davi, também Acab tinha cometido um duplo pecado para se apoderar do objeto dos seus desejos: causara a morte do homem que representava um obstáculo e apropriara-se dos haveres por ele possuídos: a mulher, no caso de Davi; a vinha no caso de Acab. Em ambos os episódios estamos, pois, perante a mais vil das usurpações no que diz respeito aos mais pobres (cf. a parábola de Natã em 2Sm 12,1-14). Foi algo que aconteceu ao longo dos séculos e continua a acontecer hoje, longe ou perto de nós: um homem poderoso, colocado à frente do povo para o governar e guiar, serve-se disso e abusa da sua autoridade e poder para seu benefício pessoal. Mas a história de Acab é uma espécie de imitação da história de Davi, no entanto, falta-lhe a magnanimidade deste, a determinação no pecado, a grandeza no arrependimento. Acab leva por maus caminhos também o seu povo, peca através de outra pessoa: é a esposa que atua em seu lugar. Perante a censura de Elias, não abre o seu coração, mas sente-se apenas ‘apanhado’ na má ação (v. 20), vendo em Elias um ‘inimigo’ enviado por Deus para o corrigir. O arrependimento está ainda muito longe dele e só o alcança perante a ameaça do castigo (cf. vv. 22-24.27). Todavia, a misericórdia de Deus envolve também este arrependimento tardio, e adia o castigo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 15 de junho de 2026

(1Rs 21,1-16; Sl 5; Mt 5,38-42) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” Mt 5,39.

“A forma literária, hiperbolicamente excessiva e extremamente admirável, nada mais é que uma forma literária; não deve ser entendida ao pé da letra. O que é preciso é penetrar em seu sentido, que é o que nós procuramos fazer. Que não se deva tomar literalmente essa admoestação, demonstra-o o exemplo do próprio Jesus, que não só não ofereceu a outra face, quando o esbofetearam, mas que censurou e deixou bem claro que reprovava tal atitude: ‘Se falei mal, prova-o; mas se falei bem, por que me bates?’ (João 18,23). Assim, pois, o sentido do ensinamento deste evangelho é o seguinte: não é permitido ao cristão pagar o mal com o mal; não pode praticar o mal contra ninguém, ainda que se lho faça a ele; antes, ao invés, deve responder ao mal com o bem. Como diz o apóstolo Paulo: ‘Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem’ (Romanos 12,21). O cristão deve retribuir com doçura à violência, com desinteresse à avareza, com a renúncia a seus direitos diante de uma exigência injustas. Espírito de benevolência e de caridade, que o leva a não negar sua ajuda a quem a solicite; se o discípulo de Cristo não questionar nada, quando se trata de ajudar ao próximo, então está cumprindo o segundo preceito da lei: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo’ (Marcos 12,31). É essa a atitude e disposição que o cristão deve ter na intimidade: de perdão e de generosidade” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Ex 19,2-6; Sl 99[100]; Rm 5,6-11; Mt 9,36—10,8) *

1. Parafraseando uma frase célebre de Jesus e resumindo o nosso evangelho, podemos afirmar: “A Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja”. Nosso olhar sobre as palavras e os gestos de Jesus neste texto nos ajudam a entender porque existe a Igreja, os apóstolos com seus sucessores, e qual deve ser a alma de todo apostolado.

2. O texto inicia com esse olhar de Cristo sobre as multidões. Sua compaixão é o coração profundo do Evangelho, a fonte escondida de onde flui a obra da redenção, onde se revela o coração de nosso Deus em seu amor pela humanidade. Ao longo dos evangelhos, só Ele expressa esse tipo de sentimento para as mais diversas pessoas e situações.

3. Ele não esconde sua comoção, não tem medo de deixar-se ver. E essa comoção é o melhor dom que se pode oferecer a quem está à sua frente com sua dor e suas penas: ela diz mais que palavras e discursos. Não é uma compaixão estéril, como vemos a seguir. Não se limita ao plano dos sentimentos e das palavras.

4. O cap. 9 termina com esse convite a rezar ao dono da messe, mas a liturgia emenda logo no capítulo seguinte para nos traduzir na prática a compaixão de Cristo diante da multidão. É aqui que vislumbramos o nascimento da Igreja. Do chamado dos Doze e do consequente envio.

5. Sabemos que doze é uma referência às tribos de Israel. Assim sua intenção e dar início à Igreja, modelando o novo Israel sobre o antigo, a nova aliança sobre a antiga, para dar pleno cumprimento. Ele impõe alguns limites momentâneos à missão, mas sabemos de suas imersões nesses territórios pagãos e interações com outras pessoas não judias.

6. Sua missão primeira diz respeito ao povo escolhido e só depois estende-se aos pagãos. E no mais, os apóstolos ainda não estavam preparados, Pentecostes ainda não havia se dado para vencer neles todas as resistências. Que não eram poucas.

7. Assim Jesus deixa claro que não veio ao mundo para fazer o bem àqueles que encontrou em sua breve vida terrena, mas para fundar uma comunidade que perpetuaria no tempo e dilataria no espaço a sua obra. A escolha de colaboradores estáveis, oficialmente designados (este é o significado do termo ‘apóstolo’), aponta justamente para isto.

8. Aqui se dá início a futura estrutura da sua Igreja. Por isso, rezaremos daqui a pouco, ela é “una, santa, católica e apostólica”: porque fundada sobre os apóstolos. Todo “privilégio” do clero e toda real discriminação em relação à comunidade são excluídos logo ao início: “De graça recebestes, de graça deveis dar!”, conclui o nosso texto. Condividir e servir.

9. O texto deixa claro para o quê os envia, revelando assim a natureza da própria Igreja. E assim podemos ver em sua raiz que a Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja. Ela existe para a salvação do ser humano como um todo, alma e corpo. Se objetivamos o céu, a vida com Deus, não o podemos fazer sem dar atenção às necessidades dessa vida.

10. De tudo isso, deveríamos sentir a Igreja como “nossa”, como um dom de Cristo, como a encarnação da sua compaixão pela humanidade, não como qualquer coisa de estranha, uma “super estrutura” que preferiríamos, talvez, que não existisse. O que mantém muitas pessoas distante da Igreja como instituição são, de modo geral, os defeitos, as incoerências, os erros passados ou presentes dos que estão à frente da mesma.

11. Não preciso lembrar a humanidade dos mesmos, ou mesmo que o grupo dos doze não era tão perfeito assim. As escolhas de Jesus não se baseiam naquilo que se é, mas naquilo que se podem tornar com a sua graça, e em seu seguimento. A Jesus não interessa tanto que seus colaboradores sejam perfeitos, mas que tenham um coração capaz de se compadecer como o seu.

12. E isto não diz respeito só aos que estão à frente da Igreja, mas a todos os batizados. Quando essa compaixão, como aquela de Cristo, se traduz em gestos concretos de solidariedade – e cada um naquilo que lhe é possível e que depende dele –, está ali, hoje, um verdadeiro discípulo de Cristo. Ali se realiza, mesmo em pequena parte, o fim para o qual Cristo quis a Igreja. 

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 13 de junho de 2026

(Is 61,9-11; Sl 1Sm 2; Lc 2,41-51) Imaculado Coração de Maria.

“Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente. Sua mãe, porém,

conservava no coração todas essas coisas” Lc 2,51.

“Não há como esquecer fatos marcantes na vida de uma pessoa. Com Maria tudo ainda era muito recente: a anunciação, o encontro com Isabel, o recenseamento, o nascimento de Jesus, a visita dos Magos, a circuncisão de Jesus, a apresentação no Templo, Simeão, Ana, a fuga para o Egito e agora, após doze anos, a Festa da Páscoa. Suas lembranças devem ter sido fortíssimas, porém bem guardadas no seu coração. O coração é o lugar que que, sentimentalmente, guardam-se as emoções. Certamente Maria tinha um coração muito forte. Cada detalhe reforçava sua fé e disposição para servir. Mesmo não compreendendo que Jesus cumpria estar na casa de seu Pai (o Templo) ela guardava e ponderava em tudo. Ter um filho como Jesus não era para qualquer um. O texto diz que Ele ‘desceu com eles para Nazaré, e era-lhes submisso’. Um filho obediente e submisso é tudo que os pais querem na vida. Ele foi um filho dedicado. Assim cresceu em ‘sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens’. Quais são as nossas lembranças agradáveis que ocorreram em nossa família? Temos consciência prazerosa do nosso Batismo e Confirmação? Nossa participação na comunidade de fé é relevante? Os dons que recebemos estão a serviço do Senhor? Somos dedicados a este Deus maravilhoso? Não vivemos apenas de sentimentos e lembranças, porém eles fazem parte da nossa história – história essa marcada pela graça e amor divinal. Nossa submissão a Deus deve ser entendida não como um jogo obrigatório e pesado, mas como um desejo sincero em estar na mesma missão que Jesus esteve – servir o Pai com alegria. – Ó Jesus bendito, quero te servir; pelos teus caminhos faze-me seguir. Sem a tua graça não podemos ter força suficiente para o mal vencer. Protetor bondoso, vem nos conduzir; tua paz celeste faze em nós luzir. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 12 de junho de 2026

(Dt 7,6-11; Sl 102[103]; 1Jo 4,7-16; Mt 11,25-30) Sagrado Coração de Jesus.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração,

e vós encontrareis descanso” Mt 11,29.

“Queridos irmãos e irmãs! Celebramos na sexta-feira passada a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, uma devoção profundamente radicada no povo cristão. Na linguagem bíblica o ‘coração’ indica o centro da pessoa, a sede dos seus sentimentos e das suas intenções. No Coração do Redentor nós adoramos o Amor de Deus pela humanidade, a sua vontade de salvação universal, a sua misericórdia infinita. Portanto, prestar culto ao Sagrado Coração de Cristo significa adorar aquele Coração que, depois de nos ter amado até o fim, foi trespassado por uma lança e do alto da Cruz derramou Sangue e Água, Fonte inexaurível de vida nova. A festa do Sagrado Coração foi também o Dia Mundial pela santificação dos sacerdotes, ocasião propícia para rezar a fim de que os presbíteros nada anteponham ao amor de Cristo. [...] O coração que mais se assemelha ao Coração de Cristo é, sem dúvida, o de Maria, a Mãe Imaculada, e precisamente por isso a liturgia os indica juntos à nossa veneração. Respondendo ao convite feito pela Virgem de Fátima, confiamos ao seu Coração Imaculado, que ontem contemplamos de modo particular, o mundo inteiro, para que experimente o amor misericordioso de Deus e conheça a paz verdadeira” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. I – Mokai) 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 11 de junho de 2026

(At 11,21-26; 13,1-3; Sl 97[98]; Mt 10,7-13) São Barnabé, apóstolo.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7-13.

“Barnabé significa ‘filho da exortação’ (At 4,36) e ‘filho da consolação’, e é o sobrenome de um judeu levita originário de Chipre. Depois de estabelecer-se em Jerusalém, foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo após a ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade e entregou dinheiro obtido aos apóstolos, para as necessidades da Igreja (c. At 4,37). Foi o fiador da conversão de Saulo diante da comunidade cristã de Jerusalém, que, todavia, desconfiava do antigo perseguidor (cf. At 9,27). Enviado para Antioquia da Síria, foi buscar Paulo em Tarso, onde se retirara, e passou um ano inteiro com ele, dedicando-se à evangelização desta importante cidade, em cuja igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. At 13,1). No momento das primeiras conversões de pagãos, Barnabé entendeu que havia chegado a hora de Saulo, que se retirara para Tarso, sua cidade. E ali foi busca-lo. Neste momento importante é como se tivesse devolvido Paulo à Igreja: presenteou-a, neste sentido, mais uma vez, com o Apóstolo do Povo. Da Igreja de Antioquia, Barnabé foi enviado como missionário junto a Paulo, para realizar o que se considera a primeira viagem missionária do apóstolo. Na verdade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, já que era ele o verdadeiro responsável, a quem Paulo se uniu como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na atual Turquia, nas cidades de Atalia, Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (cf. At 13,14). Com Paulo participou em seguida do Concílio de Jerusalém, onde, depois de um exame profundo da questão, os apóstolos, juntamente com os anciãos, decidiram eliminar da identidade cristã a prática da circuncisão (cf. At 15,1-35). Só assim, ao final, tornaram possível, oficialmente, a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo”. (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 08 de junho de 2026

(1Rs 17,1-6; Sl 120[121]; Mt 5,1-12) 10ª Semana do Tempo Comum.

“... e Jesus começou a ensiná-los: ‘Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus’”

Mt 5,2.

“As bem-aventuranças têm a ver com o Reino de Deus proclamado por Jesus. Para compreender a pregação de Jesus sobre o Reino, urge reportar-nos à triste experiência de monarquia em Israel. A experiência frustrada do passado deveria ser retomada no presente, de maneira compatível com o querer do Senhor do Reino. A ideologia real do Antigo Oriente atribuia aos reis, como tarefa primordial, a defesa dos mais fracos e pequeninos. Entre estes, em primeiro lugar, os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Toda a política do reino deveria ter em vista favorece-los, e impedir que se tornassem vítima da prepotência alheia. Entretanto, os reis de Israel foram os primeiros a oprimir e explorar os pobres. De maneira inescrupulosa, fechavam os olhos para a violência que sofriam, tornando-se cúmplices desta afronta a Deus. Esta experiência suscitou no coração dos pobres a esperança de que, um dia, Deus haveria de intervir na história humana, para estabelecer a ordem querida por ele, e fazer-lhes justiça. Para tanto, Deus encarregaria o seu Messias. As palavras de Jesus, nas bem-aventuranças, enquadram-se nesta esperança dos pobres. Ele veio não apenas relembrar à humanidade o projeto de Deus, mas empenhar-se, de corpo e alma, para que, afinal, ele se implantasse na história humana. – Pai, torna-me sensível aos sofrimentos dos pobres e dos marginalizados, movendo-me a lutar para que tenham sua dignidade respeitada, pois são teus preferidos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

10º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Os 6,3-6; Sl 49[50]; Rm 4,18-25; Mt 9,9-13) *

1. Nosso evangelho traz dois episódios distintos: a vocação de Mateus e a refeição de Jesus com os pecadores, com a consequente discussão com os fariseus.

2. Não devemos tomar o chamado de Mateus como uma informação exata do ocorrido, mas de uma busca de revelar-nos a quem Deus escolhe, como é feito o chamado e como se deve responder ao mesmo.

3. Sabemos que os cobradores de impostos eram odiados em Israel, considerados ladrões e aproveitadores. A salvação deles era praticamente impossível. A lei estabelecia que o ladrão deveria restituir o que tirou indevidamente, e mais 20%. Recordemos o caso de Zaqueu em sua busca por salvação.

4. Assim o gesto de Jesus torna-se revolucionário. Talvez o autor do nosso Evangelho pensava em combater certo “puritanismo” que se infiltrava na comunidade, lembrando o seu próprio chamado.

5. Quando Jesus o chama a segui-lo, não significava tanto deixar-se instruir por ele ou servi-lo, mas comprometer-se a seguir seu exemplo de vida. Jesus subverte as relações discípulo/mestre do seu tempo. Não os chama de “servos”, mas de amigos, se coloca a serviço deles e lhe lava os pés.

6. O “seguimento” de Jesus não tem promessa de nenhuma glória, nenhuma riqueza, mas somente serviço, dom de si. Uma resposta que deve ser firme e decidida. Mudança de vida. A vocação de Mateus representa o chamado a todos os cristãos. Ele não quer ser admirado, mas seguido.

7. A 2ª parte do evangelho nos situa na festa organizada na casa do próprio Mateus. E ali, entre Jesus e os discípulos, estão outros publicanos. Jesus come com eles, os acolhe.

8. E temos a reação dos fariseus, que se acham “justos”. Jesus responde a tal reação com um provérbio um tanto irônico e em seguida cita o profeta Oséias da 1ª leitura. Por fim acrescenta uma sentença que resume todo o seu comportamento: “Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

9. Os fariseus imaginavam que o Deus ‘santo’ não iria se misturar com os pecadores e para imitá-lo se mantinham isolados e distantes de pessoas impuras. Jesus vem dizer que Deus não é como elas pensam, não despreza, não julga, não condena, salvo aqueles que prefiram se manter em suas posições.

10. Aqui se lança uma reflexão para todos os seus seguidores. É óbvio que a comunidade cristã tem que ter claro o que diz o Evangelho e quem não se sente disposto a seguir a Cristo, se exclui da vida comunitária. Mas talvez devamos refletir, em casos específicos, se a total exclusão seria a escolha certa.

11. Não será, talvez, mais conveniente manter sempre algum laço para ‘não apagar o pavio que ainda fumega?’. Quantos de nós não temos contatos com pessoas que não creem, ou que são de outras denominações religiosas ou mesmo que não tenham uma vida assim tão “santa”? Talvez nós sejamos, para alguns, o único contato que eles têm com o Evangelho.

* com base em texto de Fernando Armellini

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sábado, 6 de junho de 2026

(2Tm 4,1-8; Sl 70[71]; Mc 12,38-44) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Eles [os escribas] devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações.

Por isso eles receberão a pior condenação” Mc 12,40.

“A fala de Jesus sempre exorta à simplicidade e à humildade. Ele fala forte contra quem tenta se aproveitar dos menores, dos mais frágeis, especialmente daqueles que utilizam para isso a fé e a religião, que deveriam justamente defender a quem necessita, não extorquir. Na sequência desse texto (cf. Mc 12,38-44), Jesus elogia a disposição de uma viúva pobre que doa simples duas moedinhas, mas que eram tudo o que ela tinha. O que estamos dispostos a oferecer para a construção do Reino de Deus? Somente o que nos sobra, ou tudo o que temos e somos? Temos a coragem e a confiança necessárias para oferecer o nosso tempo, os nossos sonhos, projetos, a nossa força para em comunhão concretizarmos esse mundo de paz, solidariedade e fraternidade? Ou apenas procuramos lucrar com a fé? Exigimos, de Deus e dos que creem, que nos sirvam aos nossos propósitos? Mesmo a nossa fé só tem sentido na dinâmica da gratuidade. A oração pelo irmão não é uma energia que geramos e ‘enviamos’ a ele, mas é celebração de ‘comunhão’, é reconhecer que, como num corpo, um membro doente afeta o corpo todo. Isso é comunhão de vida e de fé. Jesus atenta para os que que se movem por interesses, sem pensar no corpo. Aqueles que deixam falar mais alto segundas e terceiras intenções. Incapazes da gratuidade, são incapazes de amar. – Louvado sejas, nosso Senhor, pela constância em nossas vidas, pela presença compassiva e misericordiosa que ilumina o que somos e o que fazemos. Queremos, Senhor, assumir em nossa vida esse senso de pertença, de comunhão, de entrega e comprometimento com o outro. Que nunca deixemos o necessitado abandonado, que nunca nossa cobiça fale mais alto, principalmente diante do pobre, que jamais nosso coração se endureça ou nos falte misericórdia e compaixão. Amém!  (Clauzemir Makximovitz – Meditações para o dia a dia [2017] Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 05 de junho de 2026

(2Tm 3,10-17; Sl 118[119]; Mc 12,35-37) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?

E uma grande multidão o escutava com prazer” Mc 12,37.

“Talvez já tenha passado a época em que os filhos chamavam o pai de senhor. Se este título era bem usado ou não, fato é que chamar alguém de senhor nos faz lembrar de respeito, de honra, de dignidade. Jesus nos faz lembrar desta palavra quando compara Davi com o Messias (o salvador esperado). Muitas pessoas respeitavam Jesus, é verdade. Mas havia muitas outras que sentiam grande desprezo por Ele. Estas diziam honrar os seus pais, mas não honravam o Deus de seus pais. Estas diziam honrar o profeta e Rei Davi, mas estavam desprezando aquele por quem Davi tanto havia esperado, aquele a quem ele chama de Senhor no Sl 110,1. Quando nos foi ensinado o quarto mandamento: ‘Honrarás a teu pai e a tua mãe para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra’, este honrar tem a ver não só com respeito, mas também com ouvir e guardar o ensinamento que Deus deixou aos nosso pais. Mesmo que talvez não tenhas um pai cristão, poderás ter um pai espiritual que te guiará pelas verdades bíblicas. É a Palavra de Deus que nos dará forças para vivermos uma vida de respeito e de honra. Se achamos que o mundo está virado de cabeça para baixo e todos se esqueceram do respeito e da dignidade, a nossa ajuda está na Palavra de Deus. Se teus pais não são cristãos, poderá honrá-los falando de Cristo a eles, respeitando-os e amando-os. O mesmo é verdade em relação aos amigos, demais familiares e tantas pessoas que precisam da Palavra de Deus. Deus nos ensine a honrar a Deus para que possamos honrar as pessoas que nos cercam. – Senhor Deus de toda honra, peço-te humildemente que me ensines a honrar o teu nome e a servir o meu próximo em amor, por meio de Jesus Cristo. Amém! (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Quinta, 04 de junho de 2026

(Dt 8,2-3.14-16; Sl 147[147B]; 1Cor 10,16-17; Jo 6,51-58) Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

“Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” Jo 6,54.

“Jesus é a Palavra que se tornou carne, ‘o pão descido do Céu’ que dá vida ao mundo (v. 51). A oferta que Ele faz de Si mesmo na morte prolonga-se na Eucaristia. Aos judeus que murmuram, Jesus reafirma que para ter a vida eterna se deve ‘comer a Carne do Filho do homem’ e ‘beber o seu Sangue’ (vv. 52-53). A carne que se deve comer identifica com Jesus (vv. 54-56), o enviado do Pai (v. 57). Ele é o verdadeiro maná descido do céu que dá vida (v. 587). Jesus identifica-se com o ‘pão descido do céu’ (v. 51); Ele é a Palavra de Deus que responde à necessidade profunda de viver que habita em cada ser humano. O pão descido do Céu é de fato a ‘carne’ (v. 51b), o Filho de Deus que na sua humanidade concreta, frágil e indefesa à morte por amor. Ao ouvir estas palavras os judeus escandalizam-se (cf. 52), porque a Lei proibia comer carne juntamente com sangue. Mas Jesus reafirma que a Sua entrega se torna fonte de ‘vida’ para o mundo (vv. 53,54). Por isso ‘quem come a sua carne’ e ‘bebe seu sangue’ entra em comunhão com este gesto de amor, que tem a sua fonte no Pai (vv. 56-57). Uma mesma corrente de vida parte de Deus, o Pai e, através de Jesus, o Filho, derrama-se no crente que entra, mediante a fé e a experiência eucarística, em comunhão com Ele. Mediante a comunhão com Jesus, o crente que come a Sua carne e bebe o Seu sangue entra em comunhão com o Pai, fonte última da vida” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).      

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 03 de junho de 2026

(2Tm 1,1-3.6-12; Sl 122[123]; Mc 12,18-27) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muitos enganados” Mc 12,27.

“Nosso Deus é o Deus dos vivos; é o Deus daqueles que, por reconhecê-lo como Deus, devem viver a vida dele; será esta a única forma de crer em Deus, viver sua própria vida divina. Caso contrário, nossa fé não passará do nível de simples crença, e nunca se poderá proclamá-la como uma verdadeira fé, que antes de mais nada é uma vida. Devemos questionar-nos com frequência se na realidade temos fé. Não importa que sejamos pessoas comprometidas com o Reino de Deus; se não temos a vida de Deus em nós, não temos fé, pelo menos uma fé vivencial, como deve ser a fé autêntica” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 02 de junho de 2026

(2Pd 3,12-15.17-18; Sl 89[90]; Mc 12,13-17) 9ª Semana do Tempo Comum.

“As autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes

para apanharem Jesus em alguma palavra” Mc 12,13.

“A hostilidade contra Jesus uniu os seus adversários. Os enviados para armar-lhe ciladas são partidários da facção farisaica e do partido dos herodianos. Os fariseus eram bem conhecidos por seu apego às prescrições da Lei e por sua postura anti-romana. Embora resistissem aos opressores, de forma não-violenta, recusavam-se, decididamente, a conformar-se com a dominação estrangeira. Por sua vez, os herodianos estavam ligados à casa de Herodes cujos membros exerciam a autoridade em nome do imperador romano. Os fariseus buscaram a ajuda dos herodianos por saberem que estes, embora indiferentes quanto às questões religiosas, tinham interesse em abafar os movimentos populares de caráter messiânico, para evitar problemas com Roma. Por isso, fecharam os olhos às suas divergências ideológicas e optaram fazer um conluio com seus inimigos para garantir a eliminação de Jesus. A questão dirigida ao Mestre – ‘É lícito ou não pagar o tributo a César?’ – era de caráter eminentemente político. Respondendo sim, Jesus entraria no rol dos que se opunham à autoridade romana. Respondendo não, perderia a simpatia do povo, o qual, na certa, o consideraria um traidor, por reconhecer e justificar a opressão estrangeira. Jesus deu-lhes uma resposta admirável: nada impede de dar a César o que lhe pertence, desde que o absoluto de Deus seja respeitado. Deus é a medida de tudo! – Pai, tudo quanto existe no universo te pertence. Ensina-me a subordinar tudo ao teu querer e a considerar-te a medida de tudo” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 01 de junho de 2026

(2Pd 1,2-7; Sl 90[91]; Mc 12,1-12) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores e viajou para longe’” Mc 12,1.

“Depois da expulsão dos vendedores do Templo, Marcos conta o confronto entre Jesus e os sumos sacerdotes, os escribas e anciãos. E no meio desses debates Marcos insere a parábola dos vinhateiros homicidas. Essa história não é tão complexa quanto outras parábolas que podem receber interpretações em vários níveis. Aqui, Jesus está contando seu próprio destino, e os ouvintes sabem muito bem de que está falando: ‘Tinham compreendido que era para eles que ele dissera esta parábola’ (12,12). Jesus começa a parábola com uma descrição do cântico da vinha, do profeta Isaías: ‘Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e construiu uma torre’ (12,1 = Isaías 5,1s). No Antigo Testamento, a vinha é um símbolo recorrente do povo de Israel. Deus mesmo plantou essa vinha. Arrendou-a a vinhateiros. Deve ser uma metáfora que designa os responsáveis pelo povo, os sumos sacerdotes e escribas. Por três vezes Deus manda um servo, para receber dos vinhateiros sua parte da produção da vinha. Os servos representam os profetas que Deus enviou vez por outra a seu povo. Mas, muitas vezes, o povo de Israel acabou matando os profetas. Chega a causar assombro a paciência de Deus para com seu povo. Ele reage de uma maneira bem diferente à infidelidade do que faríamos nós humanos. O próprio Jesus ilustra essa atitude: ‘Só lhe restava seu filho amado. Enviou-o por último, dizendo consigo mesmo: ‘Respeitarão meu filho’’ (12,6). Nessa passagem, Jesus quer mostrar claramente aos adversários a quem estão tentando matar: o filho bem-amado de Deus. Com esse versículo, Marcos interpreta o mistério da encarnação e da morte de Jesus. Deus nos mandou, em Jesus, seu Filho amado. A vinda de Jesus é expressão do amor paciente de Deus. Mas a consideração de Deus é anulada pelas maquinações contrárias dos vinhateiros: ‘Disseram uns aos outros: ‘É o herdeiro. Vinde! Matemo-lo e ficaremos com a herança’’ (12,7). Eles o agarram, o matam e lançam seu corpo fora da vinha, para que os animais o devorem. Segundo a lei judaica, isso é crime de injúria (Grundmann, 323). Com essa parábola, Jesus desvenda a tramoia de seus adversários. É a última tentativa que Jesus faz, ‘para abrir os olhos de seus inimigos: mostrando-lhes todo o alcance de seu intento de mata-lo, Jesus lhes dá a oportunidade de voltarem a si enquanto é tempo e de pararem de conspirar contra ele’ (Iersel, 193). Mas é em vão a tentativa de Jesus. O leitor sabe que hão de mata-lo – desta vez a vítima não é apenas um profeta, mas o filho amado de Deus” (Ansel Grün – Jesus, caminho para a liberdade – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Santíssima Trindade – Ano A

(Ex 34,4-6.8-9; Sl Dn 3; 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18) *

1. Nessa “era do vazio” que nos atravessa, a Trindade pode parecer insignificante e ficar remetida apenas para velhos compêndios de teologia, de uma espécie de geometria religiosa. Precisamos recuperar esse desejo de mergulhar do mistério do próprio Deus para alimentar a nossa experiência cristã cotidiana, nos motiva a festa de hoje.

2. O Antigo Testamento nos veio preparando para a revelação que o Novo Testamento nos trouxe. Vou tentar uma síntese que nos ajude não a compreender, mas adentrar nesse mistério e perceber a relação de entrega e doação que se estabelece no interior do próprio Deus.

3. Deus, enquanto dádiva suprema fundante, é o Pai. Mas a dádiva suprema do Pai, infinita riqueza, constitui o Filho, infinita pobreza, que tudo recebe. Aquele que tudo recebe, o Filho, volta a dar tudo numa infinita doação e sem limites. Esta comunhão-comunicação que circula vertiginosa, tranquila e imperecível entre os dois constitui o Espírito Santo.

4. Por isso, atribuímos a 3ª Pessoa da Santíssima Trindade a qualidade de Dom. O Espírito, Pessoa-Dom incriado, é o protagonista da missão e de toda a vida eclesial. É, porém, um protagonista silencioso como o Dom é silencioso. Silencioso, mas eficaz.

5. A ação calorosa do Espírito-Dom não é limitada a certos países, línguas, povos, etnias, religiões. Ele está para além de todas essas barreiras, pois atua diretamente na inteligência e no coração de cada ser humano. E como vimos no domingo anterior, é Ele que nos ajuda na compreensão do mistério divino, porque Ele é Deus.

6. A Liturgia da Palavra apresenta Deus como mistério de amor. Um mistério que se vem revelando, atravessando toda a Sagrada Escritura. No centro deste Mistério do Amor de Deus em ação em nossa história está a missão do Filho de Deus com o Espírito Santo. Uma missão que constitui em elevar a nossa humanidade a viver, por graça, ao nível da sua divindade.

7. Para isso o Filho desce até nós, como diz são Paulo, sem apegar-se a sua condição divina. Em sua humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada, nos é revelado o Pai. Assim, passamos a compreender que tudo vem do Pai, mediante o Filho, no Espírito; tudo volta ao Pai, mediante o Filho, no Espírito.             

8. Por isso a Festa de Pentecostes está próxima dessa que hoje celebramos. O Espírito, como aos discípulos de ontem, dá-nos a inteligência da vida e da paixão de Jesus e de todo o Antigo Testamento.

9. Nessa ação de recordar, o passado é reclamado, para salientar o excesso de dom, deixando-nos em estado de excitação que quer provocar em nós a decisão de nos empenharmos no presente para respondermos agora ao dom que nos é oferecido: o desejo, de nos tornarmos, de fato, filhos de Deus.

10. Podemos concluir com as palavras de São Paulo, arrebatado por esse mistério: “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém!” (Rm 11,33-36)

* Adaptado do texto de D. António Couto   

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 30 de maio de 2026

(Jd 17.20-25; Sl 62[63]; Mc 11,27-33) 8ª Semana do Tempo Comum.

“[...]. Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta”

Mc 11,32b.

“É um dos melhores elogios que se tenha podido fazer a João: era tal seu testemunho de vida e de palavra, que ninguém duvidava que era um verdadeiro profeta do Senhor. Ser profeta quer dizer: falar em nome de outro, por delegação de outro, por participação da missão de outro. Todo cristão é, por seu caráter batismal, Cristo: sacerdote, profeta e rei. Todo cristão é, por sua natureza batismal, profeta de Cristo; é chamado a ser um autêntico testemunho de vida e de palavra; ser uma testemunha, alguém que anuncie e proclame uma verdade: a verdade de Cristo. Cristo é o primeiro profeta do Pai; nós devemos ser os profetas de Cristo e, por meio dele, os profetas do Pai. O mundo de hoje, o mundo em que vivemos, está aguardando que lhe transmitamos a palavra e a mensagem de Cristo; e Cristo urge-nos internamente a que cumpramos a missão profética, que ele nos atribuiu. Se estamos consagrados a ele, não viver essa consagração seria destruí-la, apaga-la e, consequentemente, frustrá-la. Poderá afirmar-se de nós, como de João Batista, que somos verdadeiros profetas de Cristo?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).              

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 29 de maio de 2026

(1Pd 4,7-13; Sl 95[96]; Mc 11,11-26) 8ª Semana do Tempo Comum.

“Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será” Mc 11,24.

“’Tudo o que pedirdes...’ Mas não simplesmente pedir, como uma criança mimada que acha que tudo merece receber simplesmente porque quer. O estado de oração tampouco é a birra infantil de quem ‘não aceita um não’, ou que, cego à realidade, insiste em soluções mágicas para problemas reais. Estar em oração é estar em sintonia com Deus. Estar em sintonia com Deus é participar de seu projeto. Projeto de salvação e santificação de todos nós e de toda a criação. Quando estamos em tal sintonia, quando nos voltamos para Deus de forma que só a oração nos proporciona, não há espaço para o egoísmo de soluções fáceis. Oração não tem tanto a ver com repetições de palavras como tem a ver com disposição, boa vontade e abertura para se voltar a Deus, nas mais diversas situações de nossa vida. Oração talvez tenha a ver com fazer as coisas bem-feitas. Num campo de futebol, por exemplo, não é lugar de, no meio do jogo, ajoelhar-se e recitar orações... Naquele momento deve-se jogar futebol. Jogar bem, dar o seu melhor, jogar honestamente, jogar limpo... Competir sim, mas sem extremos nem maldade... Dar o nosso melhor em qualquer situação... o que mais Deus poderia nos pedir? Um estudante que precisa muito passar numa prova. Ele pode ajoelhar-se e rezar o quanto quiser, mas atitude muito agradável a Deus e condizente seria se ele estudasse. Com humildade e com muito esforço. Dar o nosso melhor, eis o incenso de nossa oração. Deus reconhece e valoriza nosso esforço. Nossa vida não é um mar de rosas, não é isenta de dificuldades e injustiças, fatalidades. Mas nossa boa vontade é a oblação que Deus deseja. Nosso empenho rende frutos de ação de graças, e é isso o que importa. – Acolhe, Pai, nossa oração diária, no reconhecimento de teu amor, na superação de nossas fraquezas, em nosso esforço por viver bem e sermos felizes contigo em nosso coração. Amém!” (Clauzemir Makximovitz – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 28 de maio de 2026

(1Pd 2,2-5.9-12; Sl 99[100]; Mc 10,46-52) 8ª Semana do Tempo Comum.

“[...] O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho” Mc 10,46.

“É esta a posição não somente do cego sentado à beira da estrada, mas de quantos se detêm na vida espiritual, na sua ação de apostolado. Contentam-se com o que são e com o que fazem; é como se lhes bastasse e os satisfizesse o seu ‘status’; não os toca o afã por melhorar nada em seu ser, em seu agir. Não são maus; disso têm consciência. E, por não serem maus, não são melhores; e disso não estão conscientes. Que o aguilhão de teu zelo me inquiete, Senhor! Que o zelo de tua casa me devore! Deverei regozijar-me por ter-me corrigido de algum defeito, por ter realizado tal ou qual apostolado. Porém, isso não deve fechar-se à perspectiva de me empenhar mais e de ir sempre em frente” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 27 de maio de 2026

(1Pd 1,18-25; Sl 147; Mc 10,10,32-45) 8ª Semana do Tempo Comum.

“Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo” Mc 10,43.

“Grandezas, honrarias, o que mais nos remete a isso nesse mundo? Ou melhor, o que, de verdade, se revela como um valor realmente válido, que eleva quem dele participa? Muitos são os incentivos para se almejar poder, realizações, glórias e dinheiro, acenando que isso é que seria a verdadeira realização do ser humano. Aquele, entretanto, que conhece a Jesus Cristo, que se aproxima de seu projeto, que assume a sua Boa-nova, percebe o real valor das coisas, percebe que o verdadeiro sentido de realização do ser humano só vem pelo serviço, pela doação, pela caridade. Isso porque Deus é o nosso referencial, é Aquele que dá sentido e valor a todas as coisas. E Ele é Amor, doação, serviço, caridade. Não se trata apenas de um critério, mas de um modo próprio de perceber e de se relacionar com a própria realidade. Para quem conhece Jesus Cristo, o maior valor está em servir. Deus, em sua onipotência, quando quis revelar-se plenamente ao ser humano, o que fez? Fez-se um de nós, fez-se servo. A maior revelação da onipotência de Deus é que Deus pode servir... Não como nosso empregado, mas como modelo de serviço gratuito, serviço-doação, por amor. A maior manifestação de nossa semelhança com Deus está na nossa capacidade de servir. Por isso, quem quiser ser grande, seja o servidor! Deus, na sua onipotência, pode escolher servir, depender de nossos braços para construir o seu Reino. Deus pode porque assim o quer, porque o testemunho é de humildade. – Quisestes, Senhor, que o ser humano se realizasse pelo trabalho do Reino e serviço aos irmãos. Concede que nosso labor seja uma oblação, que nosso suor em prol da justiça, fraternidade e da paz sejam o louvor e ação de graças que transformam o mundo num perene estado de oração. Amém! (Clauzemir Makximovitz – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 26 de maio de 2026

(1Pd 1,10-16; Sl 97[98]; Mc 10,28-31) São Filipe Neri, presbítero.

“Começou Pedro a dizer: ‘Eis que nós deixamos tudo e te seguimos’” Mc 10,28.

“Este evangelho é a resposta positiva e generosa ao evangelho ontem. O jovem rico não teve coragem para seguir Jesus e, desgostoso e entristecido por isso, foi embora. No entanto, Pedro e seus companheiros escutaram as condições que o Mestre exige, para ser seguido, e alegres reconhecem que eles a cumpriram, seguiram ao Senhor. Essa deve ser a causa de nossa alegria: também nós seguimos o Senhor. Que mais podemos esperar, para deixar-nos invadir pelo júbilo e pela felicidade de sentir-nos discípulos, seguidores do Mestre? Deixar tudo não é deixar muito, é simplesmente deixar tudo que se tem, seja muito ou seja pouco. Quer dizer que no seguimento de Jesus Cristo existem graus, ou níveis. E isto não só na intensidade do amor, com que se segue o Senhor, mas ainda na extensão do seguimento. Isso fará com que nos coloquemos diante da realidade íntima de nosso seguimento do Senhor; será preciso avalia-la sob ambos os fatores: o amor e a extensão. Existe em nós alguma coisa que se possa afirmar que não siga o Senhor? Algo que não seja de acordo com esse seguimento? Excetuamos algo que não ponhamos à disposição e a serviço do evangelho? Reservamos para nós alguma coisa, sem coloca-la como contribuição ao estabelecimento do Reino de Deus? Diante desse ‘tudo’, que devemos deixar, para seguir o Senhor Jesus, está, antes de mais nada, nosso próprio eu. Desta maneira já não podemos contentar-nos, se não nos deixamos a nós mesmos. Somente assim o ‘deixar tudo’ é um desapego total e, consequentemente, o seguimento perfeito” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 25 de maio de 2026

(Gn 3,9-15.20; Sl 86[87]; Jo 19,25-34) Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja.

“Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’.

Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo”

Jo 26-27.

“Com essas palavras, Jesus finaliza sua comunicação oficial com os homens antes da Morte – as quatro outras serão de sua intimidade com Deus. Quem as ouve são Maria Madalena, representando a via da penitência; Maria, mulher de Cléofas, a dos que vão progredindo na vida espiritual; Maria Santíssima e São João, a da perfeição. Consideremos um breve comentário de Santo Ambrósio sobre este trecho: ‘Outros descreveram o transtorno do mundo na Paixão do Senhor; o céu coberto de trevas, ocultando o Sol e o bom ladrão recebido no Paraíso, depois de sua confissão piedosa; São João escreveu o que os outros calaram: como, cravado na Cruz, considerado vencedor da morte, Jesus chamou sua Mãe e tributou a Ela a reverência de seu amor filial [...]. E, se perdoar o ladrão é um ato de piedade, muito mais é homenagear a Mãe com tanto afeto [...]. Cristo, do alto da Cruz, fazia seu testamento, distribuindo entre sua Mãe e seu discípulo os deveres do seu carinho’. É arrebatador constatar como Jesus, numa atitude de grandioso afeto e nobreza, encerrou oficialmente seu relacionamento com a humanidade, na qual Se encarnara para redimi-la. Do auge da dor, expressou o carinho de um Deus por sua Mãe Santíssima, e concedeu o prêmio para o discípulo que abandonara seus próprios pais para segui-Lo: o cêntuplo nesta terra (cf. Mt 19,29). É perfeita e exemplar a presteza com que São João assume a herança deixada pelo Divino Mestre: ‘E dessa hora em diante, o discípulo a levou para a sua casa’ (Jo 19,27). São João desce do Calvário protegendo, mas sobretudo, protegido pela Rainha do Céu e da Terra. É o prêmio de quem procura adorar Jesus no extremo do seu martírio” (Mons. João Scognamiglio Clá Dias – “O Inédito sobre os Evangelhos” – Libreria Editrice Vaticana).   

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Pentecostes – Dia – Ano A

(At 2,1-11; Sl 103[104]; 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23) *

1. Hoje celebramos a importante solenidade de Pentecostes. Se, num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior é o Pentecostes, porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento do acontecimento da Páscoa, da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, através da dádiva do Espírito do Ressuscitado.

2. Na liturgia do Pentecostes, na narração dos Atos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja, corresponde o salmo 103 que rezamos: um louvor de toda a Criação, que exalta o Espírito Criador que fez tudo com sabedoria. O que a Igreja nos quer dizer é isto:

3. O Espírito criador de todas as coisas, e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos são um só e único: criação e redenção pertencem-se reciprocamente e constituem, em profundidade, um único Mistério de amor e de salvação.

4. A segunda leitura e o Evangelho mostram-nos esta ligação. O Espírito Santo é Aquele que nos faz reconhecer em Cristo o Senhor, levando-nos a pronunciar a profissão de fé da Igreja: “Jesus é o Senhor”. Senhor é o título atribuído a Deus no Antigo Testamento, título que na leitura da Bíblia tomava o lugar do seu Nome impronunciável.

5. A expressão “Jesus é o Senhor” pode ser lida nos dois sentidos. Significa: Jesus é Deus e, contemporaneamente: Deus é Jesus. O Espírito Santo ilumina esta reciprocidade: Jesus tem dignidade divina, e Deus tem o rosto humano de Jesus.

6. Deus mostra-se em Jesus e, assim, oferece-nos a verdade sobre nós mesmos. Deixar-se iluminar no profundo desta palavra é o acontecimento de Pentecostes.

7. O Evangelho nos oferece uma imagem maravilhosa para esclarecer a ligação entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como sopro de Jesus Cristo ressuscitado. João retoma aqui uma imagem da narração da criação, Deus que sopra nas narinas do homem o sopro da vida.

8. O sopro de Deus é vida. Ora, o Senhor inspira na nossa alma o novo Sopro de vida, o Espírito Santo, a sua Essência mais íntima, e deste modo recebe-nos na Família de Deus.

9. Uma outra imagem presente em nossa liturgia está relacionada também à 1ª leitura: o Espírito Santo anima a Igreja. Ela não deriva da vontade humana. Ela, ao contrário, é o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo. As imagens do vento e do fogo, utilizadas por Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, são uma forte referência ao Sinai.

10. Ali, Deus havia estabelecido a sua Aliança com Israel, no quinquagésimo dia após a saída do Egito. Assim o acontecimento de Pentecostes é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo pacto, não só para Israel, mas para todos os povos da terra. O Espírito comunica e difunde o amor que tudo abraça.

11. Com isto, nos é dito algo muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal, deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque é o próprio Deus, com seu Espírito, que a cria, purifica e santifica sempre.

12. Por fim, o evangelho confia-nos essa alegria dos discípulos de verem o Senhor. O Amigo perdido está novamente presente. Ele não vem de um lugar qualquer, mas sim da noite da morte; Ele a atravessou! Essa alegria que Ele oferece não é uma alegria qualquer, mas sim o próprio júbilo, dom do Espírito Santo.

13. Sim, é bonito viver, porque sou amado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Hoje, no Pentecostes, esta expressão é destinada também a nós, porque na fé podemos vê-lo; na fé, Ele vem ao meio de nós e mostra também a nós as mãos e o lado, e nós alegramo-nos com isto. Por isso, queremos rezar: “Senhor, mostra-te! Concede-nos o dom da Tua presença e teremos a dádiva mais bonita: a Tua alegria! Amém!” 

* Com base em texto de Bento XVI.   

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 23 de maio de 2026

(At 28,16-20.30-31; Sl 10[11]; Jo 21,20-25) 7ª Semana da Páscoa.

“Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo

os livros que deveriam ser escritos” Jo 21,25.

“O capítulo 21 termina de uma maneira estranha: ‘É este discípulo que testemunha essas coisas e as escreveu, e nós sabemos que o seu testemunho é conforme a verdade. Jesus fez ainda muitas outras coisas; se as escrevessem uma a uma, o mundo inteiro não poderia, penso eu, conter os livros que se escreveriam’ (21,24-25). Não precisamos ler tudo o que se escreveu sobre Jesus. Basta meditar sempre de novo as palavras que o discípulo amado nos transmitiu no evangelho de João. Elas nos querem abrir os olhos para o que é essencial. Não se trata de saber muito, importa, isso sim, entender. Não se trata de contar a história de Jesus em sua ordem cronológica. Importa ver nele o revelador que afasta o véu que cobre tudo, para que entremos na realidade, concordando com o maravilhoso, como diz Peter Schellenbaum. Fundir-se com a realidade, estar de acordo com o que é real, continua Schellenbaum, leva a um novo sentir da vida, uma nova experiência direta, à vida verdadeira, pois muitas vezes estamos mortos, presos em obsessões recorrentes (SCHLLENBAUM, 2001, P. 306s)” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 22 de maio de 2026

(At 25,13-21; Sl 102[103]; Jo 21,15-19) 7ª Semana da Páscoa.

“... e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?’

Pedro respondeu; ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo’. Jesus disse: ‘Apascenta os meus cordeiros’” Jo 21,15.

“Encerrando o evangelho, João quer colocar-nos, na figura de Pedro, diante da pergunta: até que pontos o nosso amor a Jesus é autêntico? E ele quer lembrar-nos que existe dentro de nós o desejo do amor desapegado e sincero. Amar Jesus é a reação adequada às palavras de Jesus, aos sinais operados em nosso meio, à sua morte e Ressurreição. Esse amor é a condição para Pedro receber a incumbência: ‘Apascenta as minhas ovelhas!’ (21,17). Com a palavra ‘poimane’ (apascenta), o texto grego alude ao pastor (poimen) do capítulo 10 do evangelho de João. Só quem responde com amor à revelação de Jesus é capaz de tornar-se pastor dos outros, um pastor disposto a dar a sua vida, como Jesus. O amor é a porta pela qual precisamos passar, para podermos entender o mistério de Jesus e encontrar nele a verdadeira vida, a vida em sua plenitude” (Anselm Grun – Jesus, porta para a vida – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 21 de maio de 2026

(At 22,30; 23,6-11; Sl 15[16]; Jo 17,20-26) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra”

Jo 17,20.

“A oração de Jesus não apenas contempla o círculo imediato de discípulos, mas se alarga até ‘os que haverão de crer’. Aqui se faz uma discreta alusão à responsabilidade dos discípulos, para os quais Jesus mostrou-se um Mestre zeloso. A iminência da morte do Mestre perturbaria os discípulos, com o risco de dispersá-los. Sem sua presença física, poderia parecer-lhes sem sentido manter-se unidos em comunidade. Cada qual poderia voltar para a própria casa e dar vazão ao saudosismo. De certa forma, as palavras de Jesus os previnem contra essa tentação. Com sua partida para a casa do Pai, caberia aos discípulos a missão de dar testemunho de sua fé e atrair novos seguidores do Mestre. Deveriam manifestar, em relação aos que haveriam de crer, o mesmo desvelo de que foram objeto por parte de Jesus. A palavra de Deus ser-lhes-ia anunciada, consagrando-os na verdade. Seriam protegidos para não caírem nas ciladas do Maligno. Enfim, ser-lhes-ia mostrado o caminho que conduz à verdadeira vida na casa do Pai. Em última análise, a tarefa dos discípulos seria a de continuar a missão de Jesus, com a mesma dinâmica – convidando outras pessoas para abraçar a salvação –, no mesmo contexto conflitivo no meio do mundo carregado de ódio –, com a mesma disposição – fidelidade absoluta ao Pai, por serem consagrados na verdade. – Pai, faze-me assumir com muita disposição a tarefa de continuar a missão de Jesus, para que muitas outras pessoas abracem a salvação que nos ofereces (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 20 de maio de 2026

(At 20,28-38; Sl 67[68]; Jo 17,11-19) 7ª Semana da Páscoa.

“Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um”

Jo 17,11.

“O paradoxo da condição dos crentes consiste no fato de que, permanecendo no mundo, se encontram a viver num contexto no qual as tensões são inevitáveis. Aconteceu assim também com Jesus. Quando estava com os discípulos, guardava-os (v. 12); agora pede ao Pai na oração que os guarde por sua vez (vv. 11-15). Como o Pai ‘enviou’ o seu Filho, assim Jesus ‘envia’ os Seus discípulos, e como o Filho ‘Se consagra a Si mesmo’ pelos discípulos, assim pede ao Pai que ‘também eles sejam consagrados na verdade’ (cf. vv. 17-19) [Compreender a Palavra:] Jesus pede ao Pai pelos Seus discípulos, presentes e futuros. Com uma atenção precisa: o evangelista João não sublinha a distinção entre os primeiros e os segundos, está deveras interessado em recordar a estreita ligação que existe entre os dois grupos. O primeiro grupo (formado pelos discípulos que viveram com Jesus) é o modelo do segundo (os discípulos que hão de vir) e o segundo deriva do primeiro (mediante o anúncio da Palavra). A perspectiva é clara: é um convite à comunidade para que se encontre e viva na linha do primeiro grupo de Apóstolos. Um tema, depois, diz respeito tanto aos primeiros como aos segundos: a oposição do mundo e ao mundo. É uma oposição que deve ser vista corretamente: como Jesus, também os discípulos estão separados do mundo (têm uma origem diversa) e, embora rejeitados, permanecem no mundo e são enviados ao mundo. É mesmo esta lógica de ‘serem para’ que faz dos discípulos uma realidade estranha ao mundo, ou seja, estranha à lógica da posse, da autoconservação. Toda a existência de Cristo esteve na linha da doação, da entrega, não centrada em Si mesmo mas no Pai e aberta a todos. É a vida a que são chamados os discípulos com a certeza de que Cristo, com Seu estilo de vida, venceu o mundo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Quaresma - Páscoa] – Paulus).    

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 19 de maio de 2026

(At 20,17-27; Sl 67[68]; Jo 17,1-11) 7ª Semana da Páscoa.

“Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro,

e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” Jo 17,3.

“A grande oração de oblação e a intercessão do Salvador na hora do seu sacrifício: é a oração-testamento de Jesus. É esta a oração do Jesus pós-Pascal que demonstra a atitude do Senhor para com os seus que aqui ficaram e que aceitaram a mensagem que ele veio trazer. Nesta oração, Jesus pede ao Pai que seus discípulos cheguem à vida eterna e esclarece que a vida eterna consiste em conhecer o Pai; mas entendendo o verbo ‘conhecer’ em sentido bíblico. Na Bíblia, o conhecimento não procede de uma atitude puramente intelectual, mas de uma experiência, uma vivência, uma presença de Deus no mais recôndito da alma, que acaba necessariamente no amor. Esse conhecimento, esse amor que constitui a felicidade da vida eterna, o amor ao Pai e a seu enviado Jesus Cristo, e isto é o que Jesus pede ao Pai para os seus. Amar a Deus Pai e amar a seu Filho único, Jesus Cristo, amá-los com a sinceridade de um coração, que se entrega plenamente, sem guardar nada para si; amar a Deus, como diz Jesus no evangelho: ‘de todo coração, de toda alma e de todo teu espírito’ (Mateus 22,37)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 18 de maio de 2026

(At 19,1-8; Sl 67[68]; Jo 16,29-33) 7ª Semana da Páscoa.

“Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações.

Mas tende coragem! Eu venci o mundo!” Jo 16,33.

“O mundo, entendido como força de oposição a Jesus e empecilho para a realização de sua obra, está em contínuo conflito com o Filho de Deus. Em todo o seu ministério houve uma luta ininterrupta com o mundo. Desde o início, este procurou desconhecer a Palavra revelada por Jesus. Também cultivou um terrível ódio contra ele, porque desmascarava a malícia de suas obras. O mundo maquinou a morte de Jesus, arregimentando todos os inimigos e tentando convencê-los de que o Mestre era blasfemo e inimigo da nação. Ademais, o mundo assumiu a postura ridícula de reconhecer o imperador romano como rei, porque isto lhe convinha para confirmar a sentença capital contra o enviado de Deus. O mundo encarna o poder das trevas, da morte, da mentira e do pecado. Por isso, não podia chegar a um acordo com quem era luz e tinha por missão gerar vida e verdade e, assim, fazer a graça divina jorrar sobre toda humanidade. Mas, a cegueira apossou-se do mundo, impedindo-o de chegar à verdade. Sua autossuficiência fê-lo desprezar a oferta divina de salvação, proclamada pelo Filho de Deus. Jesus tem consciência de ter vencido o mundo, embora tivesse de passar pela morte de cruz. Sua vitória resultou da ação conjunta com o Pai. Afinal, ao se levantar contra Jesus, o mundo se insurgia contra o próprio Deus. Seria ingenuidade ter a pretensão de vencê-los! – Pai, fica comigo, assim como estiveste com Jesus, e sê protetor quando se levantarem contra mim as forças hostis a teu Reino. E que eu seja capaz de vencê-las! (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Ascenção do Senhor – Ano A

(At 1,1-11; Sl 46[47]; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20)*

1. Iniciamos a nossa reflexão nesta festa com essa fala do anjo na 1ª leitura, dirigida aos discípulos: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

2. O que entendemos por céu? Quase todos os povos identificam o céu como a morada da divindade. Também a Bíblia usa essa linguagem espacial. Diferentemente de Deus que está “nos céus”, o ser humano está sobre a terra e depois da morte, sob a terra, no reino dos mortos.

3. Com Jesus que ressurge dos mortos e sobe ao céu, essa rígida separação é rompida. Com ele, o 1º ser humano sobe ao céu e com ele nos é dada uma esperança e uma garantia a toda a humidade de subir ao céu.

4. Com a era científica, todos estes significados religiosos atribuídos a palavra céu entraram em crise. O céu é o espaço onde se movem os planetas e o inteiro sistema solar, e nada mais. Há uma antiga piada atribuída a um astronauta soviético, que no retorno de sua viagem do cosmo diz: “Rodei ao longo do espaço e em nenhum lugar encontrei Deus!”.

5. Quando rezamos o “Pai-Nosso” ou mesmo quando a Bíblia usa a palavra céu, trata-se de um adaptara-se ao linguajar popular, mas ao mesmo tempo sabemos que Deus está no céu, na terra, em todos os lugares. Ele que tudo criou, não está “preso” a nenhum desses espaços.

6. Mesmo usando a expressão de que os Santos habitam com Deus no céu, não se trata de um lugar, mas muito mais de um estado. Deus está fora do espaço e do tempo. Quando falamos dele, não faz sentido dizer sobre ou sob, em cima ou em baixo. Isso não significa dizer que Deus não existe, que o paraíso não existe; o que se constata é que nos faltam categorias para poder representa-lo.

7. Assim como não podemos pedir a alguém que nasceu cego que nos descreva que coisa são as cores: o vermelho, o verde, o azul... ele não teria a capacidade explicar nem nós de fazê-lo compreender, porque as cores se percebem com os olhos. Assim somos nós querendo descrever a eternidade que é fora do tempo e do espaço.

8. O que significa, então afirmar que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direta do Pai”? Significa afirmar e crer que, também como homem, ele entrou no mundo de Deus; que foi constituído, como diz Paulo na 2ª leitura, Senhor e cabeça de todas as coisas.

9. As palavras do anjo aos apóstolos escondem uma certa reprovação: não é necessário ficar olhando o céu, como tentando descobrir onde Cristo estará, mas viver na espera do seu retorno, prosseguir sua missão, levar o Evangelho aos confins da terra, melhorar a vida aqui em baixo.

10. Ele sobe aos céus, mas sem deixar a terra. Apenas desaparece do nosso campo de visão. Como Ele mesmo nos assegura: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

11. O céu, entendido como lugar de repouso, do prêmio eterno aos que fazem o bem, ganha forma no momento em que Cristo ressurge e sobe aos céus, não a um céu pré-existente que o esperava, mas vai formar e inaugurar o céu para nós, como nos disse dois domingos atrás (cf. Jo 14,2-3).

12. Que faremos no céu? Não será uma experiência monótona? Estar bem e com ótima saúde seria algo monótono? Estar ao lado de quem se ama seria algo monótono? Quando se experimenta um momento de intensa e pura alegria, não nasce em nós o desejo de que esse momento nunca se acabe?

13. Aqui, essas experiências não duram para sempre, porque não há nada que possa satisfazer indefinidamente. Com Deus é diferente. A nossa mente encontrará nele a Verdade e a Beleza que jamais deixaremos de contemplar e o nosso coração o Bem que não nos cansaremos de desfrutar. Eis o céu que desejo para mim e para vocês.

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 16 de maio de 2026

(At 18,23-28; Sl 46[47]; Jo 16,23-28)

“Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome ele vo-la dará” Jo 16,23.

“Jesus queixa-se de nossa oração; não sabemos orar; quase não oramos senão quando temos alguma necessidade; pelo contrário, quando tudo corre bem, pensamos que não necessitamos de Deus. E quando alguma coisa vai bem, nem sequer nos ocorre agradecer; como também não nos ocorre a oração de louvor e a oração de disponibilidade ao plano que Deus tenha traçado sobre nós. Com efeito, existem várias espécies de oração: a de petição, pela qual pedimos o que necessitamos; a de purificação, pela qual pedimos o perdão de nossos pecados; a de oferecimento ou oblação, pela qual pedimos ao Senhor que se cumpra em nós sua divina vontade. Esta última é a mais perfeita: colocar-se à disposição de Deus, para que em nós se cumpra sua vontade e Deus possa utilizar-se de nós segundo seus planos, que sempre são a salvação dos homens e a nossa própria santificação” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite