Quarta, 15 de julho de 2026

(Is 10,5-7.13-16; Sl 93[94]; Mt 11,25-27) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai,

senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” Mt 11,27.

“Esta breve afirmação de São Mateus é considerada sua mais valiosa assertiva; é uma confissão clara e determinante da divindade do Filho; trata-se aqui de um conhecimento ontológico: o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai ontologicamente; ambos, portanto, são iguais quanto à natureza, na plenitude da divindade. Mas Deus não quis que as relações divinas da Trindade ficassem de todo ocultas à criatura; na medida em que essa criatura está capacitada para recebe-lo, Deus quis fazê-la partícipe de segredos divinos; e é o Filho o encarregado de fazer-nos essa revelação do Pai e do Espírito. Todavia não confundamos: não é um simples conhecimento da existência do Pai e do Espírito, mas um conhecimento de como é o Pai, de sua natureza divina, de como é para nós, de como está disposto a tratar-nos, se nós o aceitamos em seu Espírito. Tudo isto no-lo ensina somente o Filho, somente ele no-lo pode revelar, pois somente ele o conhece em plenitude e em profundidade, somente ele o conhece como Verbo e como Filho; isto é (segundo o nosso modo grosseiro de explicar-nos), conceitualmente e experimentalmente. E o Filho de fato no-lo revelou; deu-nos a conhecer o Pai, disse-nos como é bom o nosso Pai celestial, como ama seus filhos e se preocupa com eles, como os santifica por seu Espírito e os eleva por sua graça. E nós fomos os felizes afortunados, que recebemos esse conhecimento, essa revelação. Graças, Senhor, por tua bondade; porém, faz-me tremer a responsabilidade que essa predileção comporta. Quando o Senhor concede um dom, pedirá contas do mesmo. Como poderia eu responder ao Senhor, neste momento, sobre tudo quanto me tem concedido?” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Terça, 14 de julho de 2026

(Is 7,1-19; Sl 47[48]; Mt 11,20-24) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas”

Mt 11,21.

“A indignação de Jesus contra Corozaim, Betsaida e Cafarnaum evoca a revolta dos antigos profetas, decepcionados com a dureza de coração de seus contemporâneos. ‘Ai de ti...’ é uma expressão fortíssima. No imaginário bíblico, ela remete às lamentações, obrigatórias por ocasião dos funerais, quando se pranteava a morte de alguém. Por conseguinte, no horizonte das invectivas de Jesus estão o castigo, a morte e a condenação. Qual o motivo da dureza de Jesus? É que percebia, na atitude dos habitantes das cidades impenitentes, sinais palpáveis de má vontade em relação aos milagres que ele realizava, e, por extensão, às suas palavras. A maior parte de seus milagres tinha sido realizada nas cidades situadas às margens do lago da Galileia. Não eram poucas as pessoas que davam testemunho a seu respeito, e espalhavam por todo canto a sua fama. Mesmo de longe vinha gente para ser curada por ele. E todos eram devidamente acolhidos e atendidos. Ninguém voltava para casa sem ter sido beneficiado. Todas as doenças e enfermidades eram curadas, os espíritos impuros expulsos, os pecados perdoados e a dignidade humana restaurada. Não reconhecer na ação dele a presença do Reino, e até, preparar-lhe armadilhas para terem com que acusá-lo, só podia ser motivo de severa censura. Foi isto que Jesus fez, quando lançou invectivas contra essas cidades impenitentes. Um detalhe: sua verdadeira intenção era movê-las à penitência. – Pai, que eu seja movido à conversão e à penitência pelo testemunho de Jesus, o qual me atrai para ti (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite 

Segunda, 13 de julho de 2026

(Is 1,10-17; Sl 49[50]; Mt 10,34—11,1) 15ª Semana do Tempo Comum.

“Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente e deixai de fazer o mal!” Is 1,16.

“Com o convite a escutar a Palavra do Senhor, dirigido aos chefes e ao povo, abre-se a segunda parte do ‘rib’ profético (litígio judiciário), que ocupa todo o primeiro capítulo de Isaias. Nos versículos 11-15 domina o vocabulário cultural, com a lista de uma série de atos realizados pelos israelitas (sacrifícios, vir e trazer ofertas, solenidades...), ao passo que os versículos finais estão centrados no imperativo moral exigido por Deus (purificai-vos, deixai de fazer o mal...) que, opondo-se à iniciativa do povo, anuncia a verdadeira justiça. [Compreender a Palavra:] O apelo à escuta, endereçado aos destinatários da acusação, tem a finalidade de promover uma resposta sua, a fim de que o ‘rib’ possa chegar à reconciliação pela qual começou. As palavras dirigem-se ‘aos chefes de Sodoma e ao povo de Gomorra’, cujas cidades são julgadas pecadoras por excelência por terem pecado contra a regra sagrada da hospitalidade, e sublinham que o caminho da salvação, que se concretiza no perdão concedido pelo Senhor, passa através do reconhecimento da própria condição de serem pecadores e necessitados de acolhimento. Tudo o que o profeta proclama é Palavra do Senhor, é a voz que devem obedecer o povo e os seus chefes: a estes, em particular, compete restabelecer a justiça. Isaías anuncia uma instrução acerca do mal e do bem (‘Deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem’: vv. 16-17): existe um mal que se deve rejeitar, porque os sacrifícios estão associados à injustiça e tornaram-se perversos, e há um bem a promover, uma mudança de conduta que se explicita em ações concretas de justiça (para com os que com elas têm direito), as quais tornam agradável o justo sacrifício oferecido a Deus” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus). 

Pe. João Bosco Vieira Leite 

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Is 55,10-11; Sl 64[65]; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23)

1. Sabemos que a palavra de Deus colhida na Sagrada Escritura é, de um lado viva e operante, mas do outro corre o risco de permanecer estéril se aquele que escuta não a acolhe de alma aberta e com a firme vontade de observá-la. Isso por si só já resumiria o longo texto que nos é proposto.

2. A parábola do semeador se nos apresenta como um suplemento para que tomemos consciência deste princípio e que você se decida, se for preciso, pela sua plena atuação.

3. Com efeito, a parábola nos recorda, através da imagem do semeador, que o confronto com a palavra de Deus, lançada na alma de quem crê, pode assumir quatro atitudes ou comportamentos:

4. Tem a atitude de quem a recebe de maneira puramente passiva, sem nenhum interesse e, por isto, logo a esquece (semente caída à beira do caminho).

5. Tem a atitude de quem, mesmo a recebendo com alegria e com interesse, ao chegar a primeira dificuldade a deixa e vai em busca de outros apoios (semente caída em terreno pedregoso).

6. Tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido com alegria e interesse, consegue observá-la por um certo tempo, mas logo, cansado de uma longa resistência e fascinado pelos bens deste mundo, a deixa sufocar (semente caída entre os espinhos).

7. Enfim, tem a atitude de quem, depois de tê-la recebido, a vive de maneira plena, sem nostalgias, sem hesitações e sem criar paraísos artificiais (semente caída em terra boa).

8. Que tipo de escutador da palavra de Deus é você não cabe a mim individuá-lo. Nem pretendo, nem tenho autoridade para entrar na alma, no cérebro ou coração de vocês. A responsabilidade da resposta diz respeito a cada um. E desejo que, no responder, seja sincero, honesto e desinteressado.

9. Recomendo percorrer o vocabulário sobre a natureza e escuta da Palavra de Deus que nos oferece o salmo 119, por vezes tratada pelo termo “Lei”. Referindo-se a sua natureza, diz que ela é para o ser humano palavra de amor, vida, esperança, luz, sabedoria, guia, conforto, alimento, libertação.

10. No que diz respeito ao modo de escutá-la, o salmista exorta a deseja-la, estima-la, acolhê-la, segurá-la firme, ama-la, recordá-la, fixa-la no coração, meditá-la, observá-la, ir atrás dela e testemunhá-la. Como podemos ver, há muito o que fazer com um texto assim extremamente comprometedor e fechado a qualquer forma de hesitação.

11. Só assim podemos ser classificados entre os que escutam a Palavra de Deus, que na ótica da parábola do semeador, mostra ser um terreno bom e fecundo.

12. Esta é a única via a seguir para que o Senhor não repita, ainda que a nível muito mais alto e espiritual, o lamento que uma jovem da Idade Média dirigia ao seu amado: “Eu o amo mais que tudo no mundo, mas, para ele, não vale nem piedade, nem cortesia, nem afeto. Assim, eu me encontro desiludida e traída”.

13. A você não importa que Deus, por não ser escutado como se deve, fique mais uma vez desiludido e traído em seu amor?

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Sábado, 11 de julho de 2026

(Is 6,1-8; Sl 92[93]; Mt 10,24-33) 14º Semana do Tempo Comum.

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” Mt 10,28a.

“O evangelista Mateus reúne aqui, estruturadas na base da palavra-chave ‘Não temais’, repetidas quatro vezes, frases respeitantes a um contexto de perseguição. Como na vida apostólica, também no seu êxito a sorte dos discípulos está conformada à do Mestre: a coerência da fé pode pedir a renúncia a si mesmo. No entanto, o horizonte derradeiro não está limitado à vida do corpo: há algo que não pode ser tirado pela violência, nem pela morte e, sobretudo, pode-se contar com um amor que abraça todo o mundo. [Compreender a Palavra:] Não se trata apenas de imitação, mas de plena partilha, na comunhão, da vida de Jesus Mestre e Senhor. Se o dono da casa foi identificado com Belzebu, ‘Senhor das moscas’ (segundo uma possível interpretação), deturpação de ‘Baal-zebúb’ (‘dono da casa’), os seus servos e familiares não poderão esperar melhor. A pregação de Jesus fora marcada pela prudência, reservando ao círculo restrito dos discípulos, pelo contrário, deverão falar em público e com franqueza, chegando, se necessário, a sacrificar a vida física com a confiança de que a vida eterna será preservada graças aos cuidados amorosos de Deus. A fidelidade ao Evangelho e a coragem do testemunho serão a medida do juízo: quem tiver reconhecido Jesus diante dos homens será reconhecido por Ele diante do Pai. Note-se como Jesus distingue dos discípulos falando de Si mesmo em relação a um ‘Pai’, a que chama ‘meu’, deixando entrever que tem com Ele uma relação absolutamente singular” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 10 de julho de 2026

(Os 14,2-10; Sl 50[51]; Mt 10,16-23) 14ª Semana do Tempo Comum.

“A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘deuses nossos’

a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. Os, 14,4.

“A conclusão do Livro de Oseias está representada por uma espécie de liturgia penitencial, na qual se desenrola um diálogo entre Deus e Israel: o convite divino à conversão; a resposta com a qual Israel rejeita os ídolos e se entrega à misericórdia do Senhor; a restituição da paz e da serenidade ao povo reconciliado com Deus. A frase final (v. 10), acrescento de um redator a encerrar todo o livro, é uma meditação sapiencial acerca da importância do ensinamento moral nela contido. [Compreender a Palavra:] Ressoa no texto mais uma vez o apelo divino: ‘Israel, converte-te ao Senhor teu Deus’ (cf. v. 2). O verbo ‘sub’, ‘regressar’, indica quer a mudança de rota, o regresso físico, quer a conversão moral, que é um verdadeiro e próprio regresso ao Senhor. Note-se o adjetivo possessivo ‘teu’: não se trata de uma conversão acadêmica, mas de um regresso a uma pessoa que chama e espera. A expressão do arrependimento de Israel comporta, por isso, por um lado, a renúncia ao deus Assur, a adoração dos ídolos, o uso de instrumentos de guerra (os cavalos); e por outro, a opção de oferecer sacrifícios espirituais ao Deus verdadeiro, que é misericórdia (cf. v.4). O perdão e o amor fazem o milagre: Israel é restituído à salvação e o profeta abunda em imagens naturais para exprimir a nova exuberância: o lírio; a oliveira; o trigo; a videira. JHWH é o orvalho vivificante para quem confia n’Ele, é como um cipreste sempre verde, cujo vigor nunca murchará” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 9 de julho de 2026

(Os 11,1-4.8-9; Sl 79[80]; Mt 10,7-15) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Se alguém não vos receber nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade

e sacudi a poeira dos vossos pés” Mt 10,14.

“Com maneiras tipicamente orientais, o Senhor fala com seus discípulos sobre a conduta que devem observar no exercício de seu apostolado. O evangelista São Lucas é bem mais explícito e dá maiores detalhes. A saudação oriental consiste em desejar a paz. São Mateus escreve: ‘Entrando em uma casa, saudai-a: Paz a esta casa’ (v. 12). No conceito semita, a paz é uma palavra que expressa todo tipo de bens espirituais e temporais. Em nível do evangelho não basta desejar a paz, os bens tanto espirituais quanto temporais; é preciso também procurá-la, colocando como nossa contribuição tudo o que for necessário para a construção da paz e a consecução desses bens para nosso próximo. A paz é o que o apóstolo vem trazer. Jesus veio trazer a paz, conforme cantaram os anjos na gruta de Belém: ‘Paz aos homens’. Quando, depois de ressuscitado, aparecia aos apóstolos, a saudação que costumava dar-lhes era: ‘A paz esteja convosco’, que atualmente a liturgia acolheu para que os filhos do Pai saúdem-se mutuamente. Sem dúvida alguma, aquele que não traz a paz, não pode ser considerado apóstolo de Cristo; aquele que não prega a paz, aquele que não constrói a paz, aquele que não oferece a paz é inútil que se diga e se apresente como apóstolo de Cristo; é, portanto, lobo voraz disfarçado em pele de ovelha. ‘Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores’ (Mateus 7,15)” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 08 de julho de 2026

(Os 10,1-3.7-8.12; Sl 104[105]; Mt 10,1-7) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7.

“Jesus escolheu os doze apóstolos ou enviados; o nome do apóstolo era usual entre os rabinos; assim, o sumo sacerdote comunicava-se com as diferentes comunidades judaicas por meio dos enviados ou apóstolos que, ocasionalmente, eram simples portadores das cartas e de vez em quando iam munidos de poderes especiais, delgados do sumo sacerdote. Nós cumprimos ambas as funções: somos portadores da carta de Jesus Cristo para a humanidade, que é o evangelho, e somos participantes dos poderes de Jesus que nos confere nossa inserção na sua tríplice missão sacerdotal, profética e régia. Antes de mais nada, o apóstolo é um homem cheio e transbordante daquele do qual é enviado. Mas posso considerar-me apóstolo de Cristo, se não o levo no mais profundo da alma e não me anime constantemente o desejo vívido de fazê-lo conhecido e amado por todos os que comigo convivem. O que não arde não incendeia. O apostolado é o transbordamento da vida interior. Diz o Senhor que o Reino dos céus está próximo, não tanto no tempo, quanto na vivência de cada um de nossos atos, vividos sob sua influência e em sua perspectiva. Somos nós que devemos fazê-lo próximo e presente, dando à nossa vida sentido escatológico. Não vivemos para este mundo, por mais que estejamos neste mundo: ‘Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi’ (João 15,19): ‘eles não são do mundo, como também não sou do mundo’ (João 17,16). Se, pois, não somos do mundo, não podemos viver para o mundo, mas para o futuro do Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 07 de julho de 2026

(Os 8,4-7.11-13; Sl 113B[115]; Mt 9,32-38) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas

como ovelhas que não têm pastor” Mt 9,36

“Em suas andanças, Jesus esteve sempre muito atento às pessoas e às suas necessidades. O sofrimento da humanidade mantinha-o em contínuo alerta. Sua reação natural era a de ir ao encontro dos sofredores, revelando a solidariedade de Deus para com eles. Quando as multidões exclamavam estupefatas – ‘Nunca se viu coisa semelhante em Israel’ –, estavam reagindo diante do testemunho de misericórdia de Jesus. E esse testemunho era algo, até então, desconhecido. Mas também quando os fariseus acusavam-no de ‘expulsar os demônios pelo poder do príncipe dos demônios’, mostravam-se incapazes de compreender como alguém podia ser tão misericordioso e cheio de compaixão. Por não conseguirem discernir o dedo de Deus na ação de Jesus, optavam por acusa-lo de conluio com Satanás. A preocupação com as multidões casadas e abatidas levava o Mestre a desejar que o Pai enviasse muitas outras pessoas para cuidar delas. Como ele, os operários da messe deveriam caracterizar-se pela capacidade de compadecer-se do sofrimento alheio, sendo, efetivamente, solidários com os sofredores. Era necessário que muitas outras pessoas se interessassem pelo rebanho. Portanto, muitos deveriam compartilhar a missão de Jesus.  – Pai, faze-me compassivo diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, movendo-me a ser, efetivamente, solidário com eles (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 06 de julho de 2026

(Os 2,16-18.21-22; Sl 144[145; Mt 9,18-26) 14ª Semana do Tempo Comum.

“Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça

conforme as práticas da misericórdia”. Os 2,21.

“A primeira parte do Livro de Oseias (caps. 1-3) baseia-se na experiência familiar do profeta. Um dos textos mais comovedores da Escritura é este oráculo em que a voz de Deus ressoa no coração da esposa infiel para a seduzir de novo, fazer-lhe reencontrar a frescura do primeiro amor e enchê-la de bens. No texto está condensada toda a força do amor esponsal de Deus que, ferido pela traição do seu Povo, todavia não desiste, até que não tenha reconquistado a Amada. [Compreender a Palavra:] Oseias recebe de Deus ordem para amar tenazmente a esposa infiel. Neste episódio, JHWH revela o Seu coração de enamorado, tão inflamado de paixão a ponto de ir contra a Lei que prescrevia a morte de adúltera. Este Deus enamorado do homem utiliza os tons da sedução para reconduzir Israel aos tempos do primeiro amor, da libertação do Egito, e sobretudo, da caminhada no deserto, onde o povo estava sozinho com seu Deus e nada se intrometia para o distrair do colóquio do amor. Os frutos prometidos da sedução divina são novos esponsais (cf. v. 18), em que o esposo será visto como amante (‘Chamar-me-ás ‘meu marido’, isto é ‘meu homem’) e não já Dono (‘meu Baal’). O nome ‘Baal’ era também o título do deus cananeu que, rivalizando com o Senhor em amor, subjugava com ele os seus devotos. O enxoval da noiva serão ‘justiça, direito, amor e misericórdia’ (vv. 21-22), tanto que a realidade do amor reencontrado será uma nova criação expressão pelo verbo hebraico ‘eras (cf. v. 21: o verbo, segundo São Jerônimo, indica as primeiras núpcias, as núpcias de uma virgem), e será um encontro apaixonado com Deus (é o que significa o verbo ‘yada’, ‘conhecer’)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

14º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Zc 9,9-10; Sl 144[145]; Rm 8,9.11-13; Mt 11,25-30)*

1. Ao final do Evangelho de hoje Jesus nos convida a imitar a sua humildade. Olhando, de um modo geral os evangelhos, no que entendemos por humildade, Jesus não se encaixa de modo exato. Ele estava bastante convencido de não ter pecado. Se proclama Mestre e Senhor. Se disse maior que Abraão, que Moisés, Jonas, Salomão. De que humildade Ele está falando?

2. Esse seu convite nos leva a ver que a humildade não consiste necessariamente em ser pequeno e pobre, porque alguém pode ser insignificante e arrogante ao mesmo tempo. Não consiste em sentir-se pequeno e sem valor, porque tal sensação pode ser resultado de um complexo de inferioridade ou baixa estima que leva a depressão e a autoagressão e não a humildade.

3. Não consiste também em declarar-se pequeno, porque muitos se declaram de não valer nada, sem acreditar verdadeiramente no que dizem, ou mesmo porque esse modo de falar faz parte da própria cultura.    

4. A humildade consiste no fazer-se pequeno por amor, para elevar o outro. É essa a humildade de Jesus. Enquanto Deus, se despojou de tudo, assumindo a nossa humanidade para nos salvar. Nesse sentido ele tem toda razão de dizer: “Aprendei de mim, que sou humilde”.

5. Humilde mesmo, só Deus, porque na posição em que se encontra, não pode elevar-se acima de si, porque não há nada acima d’Ele. Só pode descer, abaixar-se. E é o que faz todo o tempo: criando o mundo, se abaixa; inspirando a Bíblia, faz como um pai que se adapta ao balbuciar para ensinar a criança a falar. A história da salvação é uma história de descida e da humilhação de Deus.

6. Essa ideia fascinava Francisco de Assis, que convidava constantemente seus irmãos a “olhar a humildade de Deus”. No seu “Canto das Criaturas” faz da água o símbolo da humildade. Ela é humilde porque entregue a si mesma, sempre desce, até atingir o ponto mais baixo possível. Ela sempre escolhe o último lugar, ao contrário do vapor, que sempre se eleva (orgulho).

7. Há quem acuse o Evangelho de Jesus de ter introduzido no mundo a “doença” da humildade, opondo a essa o ideal da “vontade de poder” (Nietzsche). Mas já assistimos bastante os frutos desta inversão. A humildade não só não deprime o ser humano, mas o torna autêntico, verdadeiro.

8. A humildade é a verdade. É interessante perceber que a palavra homem e humildade derivam de “humus”, solo. O humilde é aquele que tem os pés na terra, é radicado no solo, que não se deixa levar pelas opiniões e pelas modas, que não exalta a si mesmo. Diz como Paulo: “Que coisa tenho que não tenha recebido? E se a recebi porque me comporto como se não fosse assim?”.

9. Devemos reconhecer que a humildade não nos é natural. Nos agrada, mas nos outros, não em nós mesmos. A quem diga que 75% do espírito humano é constituído de orgulho e vaidade. Até mesmo a psicologia reconhece o valor terapêutico da humildade.

10. O Evangelho não é contra querer ser grande ou o primeiro. O que ressalta o evangelho é a via para realizar esta aspiração legítima. Essa não consiste no elevar-se sobre os outros, reduzindo-os a escravos ou admiradores, mas no elevar os outros, servindo-os, ajudando-os a crescer. Como faz um pai com seus filhos, para que se tornem até maiores que ele mesmo.

11. Aqui não há vencedores, e um bando de vencidos, mas um caminho que eleva a todos. A competitividade selvagem é substituída pela solidariedade. É a via mais digna do ponto de vista humano. Humildade não significa colocar-se sob os pés de outro ou mesmo não reagir às injustiças. O verdadeiro humilde sabe também lutar pela verdade, porque é livre em si mesmo.

12. Assim Jesus se alegra em nosso Evangelho por que Deus revela tais coisas aos pequeninos, que aqui não é o contrário de ‘inteligentes’, mas o contrário de ‘soberbos’. O Evangelho não condena a sabedoria, mas o orgulho. Também agimos assim: a quem gostamos de contar os nossos segredos? A pessoas humildes, discretas, capazes de escutar e calar.

13. Se a humildade é assim bela, devemos esforçar-nos para sermos um pouco mais humildes. Um meio que nos faz crescer na humildade e saber aceitar qualquer observação que nos faça o outro, sem de imediato deprimir-nos ou contra-atacar sem antes termos considerado se a observação era justa ou não. Ninguém se torna humilde sem aceitar alguma humilhação...

14. Precisamos aprender a ser o primeiro a estender a mão, ou acenar um sorriso depois de uma briga entre marido e mulher, um pedido de desculpa entre colegas de trabalho, ou mesmo entre adversários políticos, tudo isto torna serena a atmosfera, desmonta os ressentimentos, torna tudo mais simples. O verdadeiro vencedor é quem se antecipa num ato de humildade...

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 04 de julho de 2026

(Am 9,11-15; Sl 84[85]; Mt 9,14-17) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Também não se coloca vinho novo em odres velhos, senão os odres se perdem.

Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam” Mt 9,17.

“O evangelho fala-nos várias vezes do homem novo e do homem velho. A doutrina do evangelho é uma doutrina nova, um espírito novo; se formos odres velhos, gastos, sem força, não poderemos captar a novidade do Espírito do Senhor. Por isso, a Igreja nos convida, várias vezes também, a pedir que o Espírito Santo renove a face da terra, renove nosso espírito, renove nossa mente e nosso coração. Não nos esqueçamos de que na linguagem bíblica veterotestamentária, a palavra ‘coração’ expressa os pensamentos do homem e é esse o sentido do tão repetido pedido dos salmos: - Purifica, Senhor, meu coração, isto é, purifica meus pensamentos, meu modo de pensar, meus critérios, minha visão de mundo. A vida de Deus é uma vida nova, que o cristão recebe para fazer dele um homem novo; e com o homem novo poderemos construir novos céus e a nova terra, que serão o sacramento, o sinal e o instrumento do futuro Reino de Deus” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Sexta, 03 de julho 2026

(Ef 2,19-22; Sl 116[117]; Jo 20,24-29) São Tomé, apóstolo.

“Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!” Jo 20,28.

“Quando Tomé viu e ouviu Jesus, exprimiu em poucas palavras o que senti no seu coração: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ exclama comovido até o mais fundo do seu ser. É um ato simultâneo de fé, de entrega e de amor. Confessa abertamente que Jesus é Deus e reconhece-o como seu Senhor. Jesus respondeu-lhe: ‘Tu creste, Tomé, porque me viste; bem-aventurados os que não viram e creram’. E comenta João Paulo II: ‘Esta é a fé que nós devemos renovar, na esteira de incontestáveis gerações cristãs que ao longo de dois mil anos confessaram a Cristo, Senhor invisível, chegando até o martírio. Devemos fazer nossas, como muitos outros fizeram suas, as palavras de Pedro na sua primeira Epístola: Este Jesus, vós não o vistes, mas o amais, vós também agora credes n’Ele sem o ver; e, crendo, exultais com uma alegria inefável (1Pd 1,8). Esta é a autêntica fé: entrega absoluta às coisas que não se vêm, mas são capazes de satisfazer e enobrecer toda uma vida’. A partir daquele momento, Tomé foi outro homem, graças em boa parte à caridade fraterna que os demais Apóstolos tiveram com Ele. A sua fidelidade ao Mestre, que pareça impossível naqueles dias de trevas, foi para sempre firme e incondicional. Essas suas palavras têm-no servido muitas vezes para fazer um ato de fé – Meu Senhor e meu Deus! – ao passarmos diante de um Sacrário ou no momento da Consagração na Santa Missa. A sua figura é hoje para nós um motivo de confiança no Senhor, que vela por nós constantemente, e um motivo de esperança em relação aos que temos mais perto de nós, se por vontade divina passam por momentos de desconcerto na sua fidelidade a Deus. Nessa situação, o nosso alento e a graça divina farão milagres. Pedimos hoje ao Senhor com a Liturgia: ‘Concedei-nos, Deus todo poderoso, celebrar com alegria a festa de São Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no nome de Jesus Cristo, que o Apóstolo reconheceu como Senhor’. A Virgem, que estava naqueles dias tão perto dos Apóstolos, deve ter seguido atentamente a evolução da alma de Tomé. Talvez tenha sido Ela quem impediu que o Apóstolo se afastasse definitivamente. Nós confiamos-lhe hoje a nossa fidelidade ao Senhor e a daqueles que de alguma maneira Deus colocou sob os nossos cuidados. Virgem fiel..., rogai por eles..., rogai por mim!” (Francisco Fernandez-Carvajal – Falar com Deus – Vol. 7 – Quadrante)

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 02 de julho de 2026

(Am 7,10-17; Sl 18[19]; Mt 9,1-8) 13ª Semana do Tempo Comum.

“Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham,

Jesus disse ao paralítico: ‘Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!’” Mt 9,2.

“A grandeza da fé do paralítico, estendido no leito, chamou a atenção de Jesus. O texto diz que o Mestre viu a fé daqueles homens. Só é possível ver a fé de alguém, quando manifestada nas suas ações. As providências tomadas pelo paralítico para estar na presença de Jesus devem ter sido formidáveis, pois chamou-lhes a atenção. Esta confiança ilimitada explica a iniciativa do Mestre: dedicar-lhe, imediatamente, perdoados os pecados e, assim, reconciliá-lo com Deus. Segundo se acreditava na época, as doenças eram consequência dos pecados. O perdão era, por conseguinte, o primeiro, o primeiro passo para a cura, por cortar o mal pela raiz. Só, então, teria sentido propiciar ao paralítico a cura física. A ação taumatúrgica de Jesus recriava o ser humano a partir do seu interior, atingindo os níveis mais profundos, ali onde se processa a comunhão entre a criatura e o Criador. A restauração dos laços rompidos entre ambos permitia ao ser humano refazer-se, até chegar aos níveis exteriores. A cura acontece de dentro para fora. Quando o exterior é curado, é porque o interior já deve ter sido totalmente refeito. A cura do paralítico foi possível por causa da sua confiança inabalável em Jesus. Esta é a fé que se exige de quem pretende ser curado por ele. Mas, a partir de dentro! – Pai, que minha fé ilimitada em teu Filho Jesus seja penhor de perdão e cura. Que o poder de Jesus me cure a partir do meu interior (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite