Segunda, 21 de setembro de 2026

(Ef 4,1-7.11-13; Sl 18[19ª]; Mt 9,9-13) São Mateus, Apóstolo e Evangelista.

“Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: ‘Segue-me!’

Ele se levantou e seguiu a Jesus” Mt 9,9.

“Continuando com a série de descrições dos doze apóstolos que iniciamos há algumas semanas, hoje nos deteremos em Mateus. A bem verdade, delinear a sua figura é quase impossível, já que as notícias que temos sobre eles são poucas e fragmentárias. Em lugar de sua biografia, podemos traçar seu perfil, de acordo com o que nos conta o Evangelho. Ele sempre aparece na lista dos Doze escolhidos por Jesus (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Seu nome em hebreu significa ‘presente de Deus’. No primeiro Evangelho canônico, que leva a sua assinatura, aparece na lista dos Doze com um qualificativo muito concreto: ‘o cobrador de impostos’ (Mt 10,3). Ele é descrito como uma pessoa que, sentada em seu escritório de cobrador de impostos, é chamada por Jesus para que o siga: ‘Siga-me!’ Ele se levantou e seguiu Jesus’ (Mt 9,9). Marcos (cf. 2,13-17) e Lucas (cf. 5,27-30) também relatam esse chamado quando Mateus estava sentado em seu escritório de arrecadador de impostos, embora o chamem ‘Levi’. Para imaginar a cena descrita em Mateus 9,9 é suficiente recordar o magnífico quadro de Caravaggio, conservado em Roma, na igreja de São Luís dos Franceses. Dos Evangelhos desprende-se outro detalhe biográfico: na passagem que precede este relato do chamado conta-se de um milagre que Jesus realizou em Cafarnaum (cf. Mt 9,1-8; Mc 2,1-12) e alude-se que estava perto do mar da Galileia, quer dizer, do lago de Tiberíades (cf. Mc 2,13-14). Disto se pode deduzir que Mateus exercia a sua função de arrecadador em Cafarnaum, lugar ‘próximo ao mar’ (Mt 4,13), onde Jesus era hóspede habitual na casa de Pedro. Partindo desses escassos dados que se depreendem dos Evangelho, podemos já adiantar um par de reflexões. A primeira é que Jesus acolhe no grupo de seus íntimos um homem que, segundo as ideias em voga em Israel de sua época, era considerado um publicano pecador. Mateus, de fato, não só manejava dinheiro, que era considerado impuro por proceder de gente estranha ao povo de Deus, mas também colaborava com uma autoridade estrangeira odiosamente cobiçosa, que além do mais fixava os tributos de forma arbitrária. Por estes motivos, mais de uma vez os Evangelhos falam de ‘publicanos e pecadores’ (Mt 9,10; Lc 15,1), de ‘publicanos e prostitutas’ (Mt 21,31). Além do mais, veem nos publicanos um exemplo de mesquinhez (cf. Mt 5,46: amam só os que os amam) e mencionam um deles, Zaqueu, como ‘chefe dos cobradores de impostos e muito rico’ (Lc 19,21), enquanto a opinião popular os associava a ‘ladrões, desonestos e adúlteros’ (Lc 18,11). Sendo assim, há um primeiro dado que chama a atenção: Jesus não exclui de ninguém da sua amizade. Ao contrário, precisamente enquanto está à mesa na casa de Mateus-Levi, em resposta a alguém que se mostrava escandalizado pelo fato de que frequentava companhia pouco recomendáveis, pronuncia esta importante declaração: ‘As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só os que estão doentes. Eu não vim para chamar os justos, e sim os pecadores’ (Mc 2,17)” (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

Pe. João Bosco Vieira Leite