Domingo de Páscoa – Ano A

(At 10,34.37-43; Sl 117[118]; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9)*

1. Algumas situações na vida podem nos levar a usar a palavra, ressurreição, renascimento. Quando alguém atravessa uma grave doença, e pode retomar as suas atividades, dizemos que ela renasceu! Um político, ou um atleta que sofre uma derrota, se supõe logo que é o seu fim. Mas se numa nova ocasião ele obtém sucesso: dizemos que ressuscitou!

2. Tolstói escreveu um romance intitulado Ressurreição. Por detrás da palavra Ressurreição do título, há uma história de redenção do mal. Um homem sacrifica a sua posição social e a carreira para reparar um erro cometido na juventude contra uma jovem.

3. Cada uma dessas situações nos ajuda a entender alguma coisa da ressurreição de Cristo. Ela é tudo isso – retorno à vida, vitória sobre os inimigos, triunfo do amor – e infinitamente mais que tudo isso. Se há tantas pequenas ressurreições na vida - também na nossa –, é porque antes houve a ressurreição de Cristo. Ela é a causa de todas as ressurreições: à vida, à esperança.

4. Com estas promessas, aproximamo-nos do Evangelho deste domingo de Páscoa. Esse brado de “Ressuscitou” ressoou pela 1ª vez no mundo àquelas mulheres que vão pela manhã ao sepulcro, entre elas, Madalena. E elas se precipitam pelos caminhos até chegarem ao cenáculo para darem a notícia aos discípulos.

5. Os discípulos logo percebem que algo de extraordinário havia acontecido e no meio de tamanho entusiasmo vem a notícia da ressurreição. E assim, o anúncio da Ressurreição de Cristo começava sua corrida através da história, como uma onda calma e majestosa que nada nem ninguém poderá fazer parar até o fim do mundo.

6. Este anúncio, passado vinte séculos, chega também a nós, hoje, límpido e fresco, como na primeira vez. Mas Jesus ressuscitou verdadeiramente? Que garantia temos de que se trata de um fato realmente acontecido e de que não é uma invenção ou uma ilusão?

7. Paulo, em 1Cor 15,8, há quase 25 nos de distância dos fatos, elenca todas as pessoas que viram a Cristo depois da ressurreição e a maioria era ainda viva. E acrescenta também a sua pessoa, em seu testemunho pessoal de encontro com o Ressuscitado.

8. Estes discípulos são os mesmos que se dispersaram com a sua morte; deram o caso por encerrado, como os discípulos de Emaús. Não esperavam nada. E eis que, de improviso, estes mesmos homens estão a proclamar que Jesus está vivo, e por esse testemunho, enfrentam processos, perseguições e ao fim, um após o outro, o martírio e a morte.

9. Sem o fato da ressurreição, o nascimento do cristianismo e da Igreja se torna um mistério ainda mais difícil de se explicar do que a própria ressurreição.

10. Estes são alguns argumentos históricos, objetivos, mas a prova mais forte que Cristo ressuscitou, que está vivo, não nos vem de o termos visto, mas de que Ele tem vida em nós, nos comunica o sentido da sua presença, nos faz ter esperança. “Toca em Cristo quem crê em Cristo”, dizia S. Agostinho e os verdadeiros crentes fazem a experiência da verdade desta afirmação.

11. Sem entrar aqui no que argumentam os que não creem, a força da ressurreição de Cristo, como diz São Paulo, é, para o universo espiritual, aquilo que foi para o universo físico, segundo a teoria moderna do Big Bang: uma explosão tal de energia que imprimiu no cosmo aquele movimento de expansão que dura ainda hoje, a distância de milhares de anos.

12. De São Serafim de Sarov, um monge que viveu na Rússia, se conta que quando as pessoas iam ao seu encontro no mosteiro para confessar-lhe seus pecados, ele ia ao encontro delas e, ainda longe, as saudava com grande entusiasmo, gritando, “Meu querido, Cristo ressuscitou!”.

13. Nos lábios desse santo aquelas palavras tinham uma força que, só ao ouvi-las, os visitantes sentiam cair os sofrimentos do coração e renascer a esperança. Façamos também nossa essa saudação nesse dia de Páscoa, ao menos com os olhos, se não é possível com a boca: “Meus queridos[as], Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!”

* Com base em texto de Raniero Cantalamessa.

Pe. João Bosco Vieira Leite