Páginas

▼

Quinta, 10 de setembro de 2026

(1Cor 8,1-7.11-13; Sl 138[139]; Lc 6,27-38) 23ª Semana do Tempo Comum.

“Pecando, assim, contra os irmãos e ferindo a consciência deles, que é fraca, é contra Cristo que pecais” 1Cor 8,12.

“Entre os cristãos de Corinto não faltavam motivos de divisão. Um era dado pela questão que dizia respeito à permissividade de comer as carnes antes oferecidas aos ídolos e depois vendidas no mercado. Alguns cristãos pendiam para o sim, outros para o não, e todos aduziam os seus motivos: alguns sabiam que os ídolos não existiam e não governam o mundo e, portanto, comer a carne a eles imolada é insignificante sob o ponto de vista moral; outros pensavam que comer essa carne constituía recair na idolatria e, por conseguinte, viam nisso agir contra a consciência. [Compreender a Palavra:] Os princípios com os quais Paulo responde à pergunta acerca da possibilidade de comer ou não carnes imoladas aos ídolos: as ideias claras, mesmo no campo religioso, não bastam para a vida; o verdadeiro conhecimento de Deus e do homem nasce do amor e leva ao amor. A liberdade cristã não é autonomia abstrata e afirmação individualista do próprio saber, mas é capaz de viver com os outros, tendo em conta as suas exigências, os seus condicionalismos, a sua insuperável dignidade. Quantos acham que os ídolos não existem, porque ‘não há senão um único Deus, o Pai [...] e um só Senhor Jesus Cristo’ (cf. v. 5) raciocinam bem, mas esquecem que a identidade cristã consiste, antes de mais, na caridade: faltar à caridade para um cristão é um contrassenso. O próximo, mesmo se fraco, é sobretudo ‘um irmão por quem Cristo morreu’ (v. 11) e é sempre amado por Jesus por aquilo que é. Pecar contra um irmão, ferindo a sua consciência, é pecar ‘contra Cristo’ (v. 12): não é afirmar a liberdade, mas sim destruir a própria vida, regressar à situação de morte que caracteriza o paganismo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. II] – Paulus).

Pe. João Bosco Vieira Leite