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Quarta, 17 de junho de 2026

(2Rs 2,1.6-14; Sl 30[31]; Mt 6,1-6.16-18) 11ª Semana do Tempo Comum.

“... de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa” Mt 6,4.

“Os discípulos de Jesus foram alertados a respeito das formas indevidas de praticar a religião, de modo especial, o exibicionismo nas práticas religiosas, com o intento de granjear louvores e admiração. Esta preocupação minimiza o que se faz com a intenção de agradar a Deus. A recompensa divina. Tomando três práticas típicas de piedade – a esmola, a oração e o jejum –, Jesus pôs em confronto a maneira incorreta e a correta de praticá-las. A forma incorreta é a atitude dos hipócritas. Estes mandam tocar trombetas quando vão dar esmolas, para chamar a atenção dos passantes; rezam nas sinagogas e nas praças, de maneira ostentatória para serem contemplados em atitude de oração; quando estão jejuando, fazem questão de apresentar um semblante ascético e abatido, dando-se ares de penitentes. A forma correta de viver a piedade é bem outra. Nela o fiel busca ser visto unicamente por Deus. O reconhecimento humano é dispensado, pois não tem valor algum. Basta que o Pai veja a esmola dada de maneira discreta. A oração deve ser feita no recolhimento do quarto, pois só o Pai será testemunha da sinceridade com que é feita. Por ocasião do jejum, aconselhava-se a lavar o rosto e a perfumar a cabeça. Assim, somente o Pai verá o que se passa no coração de quem jejua. Engana-se quem procura agradar a Deus por um caminho diferente daquele indicado por Jesus. – Pai, só te agradam as ações feitas na simplicidade e no escondimento. Que eu procure sempre agradar-te, enveredando por este caminho (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 16 de junho de 2026

(1Rs 21,17-29; Sl 50[51]; Mt 5,43-48) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías,

porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar” 1Rs 21,22.

“O mal cometido não passa despercebido, embora muitas vezes aqueles que o conhecem se tornem cúmplices e até Deus parece calar-se. Aquilo que a Escritura diz no caso do duplo pecado de Davi, com e por causa de Betsabeia vale também para Acab: ‘Deus reprovou o que Davi tinha feito’ (2Sm 11,27). O profeta, verdadeira consciência moral de povo e do rei, tem a missão de enfrentar Acab para o chamar às suas responsabilidades. [Compreender a Palavra:] Tal como Davi, também Acab tinha cometido um duplo pecado para se apoderar do objeto dos seus desejos: causara a morte do homem que representava um obstáculo e apropriara-se dos haveres por ele possuídos: a mulher, no caso de Davi; a vinha no caso de Acab. Em ambos os episódios estamos, pois, perante a mais vil das usurpações no que diz respeito aos mais pobres (cf. a parábola de Natã em 2Sm 12,1-14). Foi algo que aconteceu ao longo dos séculos e continua a acontecer hoje, longe ou perto de nós: um homem poderoso, colocado à frente do povo para o governar e guiar, serve-se disso e abusa da sua autoridade e poder para seu benefício pessoal. Mas a história de Acab é uma espécie de imitação da história de Davi, no entanto, falta-lhe a magnanimidade deste, a determinação no pecado, a grandeza no arrependimento. Acab leva por maus caminhos também o seu povo, peca através de outra pessoa: é a esposa que atua em seu lugar. Perante a censura de Elias, não abre o seu coração, mas sente-se apenas ‘apanhado’ na má ação (v. 20), vendo em Elias um ‘inimigo’ enviado por Deus para o corrigir. O arrependimento está ainda muito longe dele e só o alcança perante a ameaça do castigo (cf. vv. 22-24.27). Todavia, a misericórdia de Deus envolve também este arrependimento tardio, e adia o castigo” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 15 de junho de 2026

(1Rs 21,1-16; Sl 5; Mt 5,38-42) 11ª Semana do Tempo Comum.

“Eu, porém, vos digo: não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!” Mt 5,39.

“A forma literária, hiperbolicamente excessiva e extremamente admirável, nada mais é que uma forma literária; não deve ser entendida ao pé da letra. O que é preciso é penetrar em seu sentido, que é o que nós procuramos fazer. Que não se deva tomar literalmente essa admoestação, demonstra-o o exemplo do próprio Jesus, que não só não ofereceu a outra face, quando o esbofetearam, mas que censurou e deixou bem claro que reprovava tal atitude: ‘Se falei mal, prova-o; mas se falei bem, por que me bates?’ (João 18,23). Assim, pois, o sentido do ensinamento deste evangelho é o seguinte: não é permitido ao cristão pagar o mal com o mal; não pode praticar o mal contra ninguém, ainda que se lho faça a ele; antes, ao invés, deve responder ao mal com o bem. Como diz o apóstolo Paulo: ‘Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem’ (Romanos 12,21). O cristão deve retribuir com doçura à violência, com desinteresse à avareza, com a renúncia a seus direitos diante de uma exigência injustas. Espírito de benevolência e de caridade, que o leva a não negar sua ajuda a quem a solicite; se o discípulo de Cristo não questionar nada, quando se trata de ajudar ao próximo, então está cumprindo o segundo preceito da lei: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo’ (Marcos 12,31). É essa a atitude e disposição que o cristão deve ter na intimidade: de perdão e de generosidade” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

Pe. João Bosco Vieira Leite

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Ex 19,2-6; Sl 99[100]; Rm 5,6-11; Mt 9,36—10,8) *

1. Parafraseando uma frase célebre de Jesus e resumindo o nosso evangelho, podemos afirmar: “A Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja”. Nosso olhar sobre as palavras e os gestos de Jesus neste texto nos ajudam a entender porque existe a Igreja, os apóstolos com seus sucessores, e qual deve ser a alma de todo apostolado.

2. O texto inicia com esse olhar de Cristo sobre as multidões. Sua compaixão é o coração profundo do Evangelho, a fonte escondida de onde flui a obra da redenção, onde se revela o coração de nosso Deus em seu amor pela humanidade. Ao longo dos evangelhos, só Ele expressa esse tipo de sentimento para as mais diversas pessoas e situações.

3. Ele não esconde sua comoção, não tem medo de deixar-se ver. E essa comoção é o melhor dom que se pode oferecer a quem está à sua frente com sua dor e suas penas: ela diz mais que palavras e discursos. Não é uma compaixão estéril, como vemos a seguir. Não se limita ao plano dos sentimentos e das palavras.

4. O cap. 9 termina com esse convite a rezar ao dono da messe, mas a liturgia emenda logo no capítulo seguinte para nos traduzir na prática a compaixão de Cristo diante da multidão. É aqui que vislumbramos o nascimento da Igreja. Do chamado dos Doze e do consequente envio.

5. Sabemos que doze é uma referência às tribos de Israel. Assim sua intenção e dar início à Igreja, modelando o novo Israel sobre o antigo, a nova aliança sobre a antiga, para dar pleno cumprimento. Ele impõe alguns limites momentâneos à missão, mas sabemos de suas imersões nesses territórios pagãos e interações com outras pessoas não judias.

6. Sua missão primeira diz respeito ao povo escolhido e só depois estende-se aos pagãos. E no mais, os apóstolos ainda não estavam preparados, Pentecostes ainda não havia se dado para vencer neles todas as resistências. Que não eram poucas.

7. Assim Jesus deixa claro que não veio ao mundo para fazer o bem àqueles que encontrou em sua breve vida terrena, mas para fundar uma comunidade que perpetuaria no tempo e dilataria no espaço a sua obra. A escolha de colaboradores estáveis, oficialmente designados (este é o significado do termo ‘apóstolo’), aponta justamente para isto.

8. Aqui se dá início a futura estrutura da sua Igreja. Por isso, rezaremos daqui a pouco, ela é “una, santa, católica e apostólica”: porque fundada sobre os apóstolos. Todo “privilégio” do clero e toda real discriminação em relação à comunidade são excluídos logo ao início: “De graça recebestes, de graça deveis dar!”, conclui o nosso texto. Condividir e servir.

9. O texto deixa claro para o quê os envia, revelando assim a natureza da própria Igreja. E assim podemos ver em sua raiz que a Igreja é para o homem, não o homem para a Igreja. Ela existe para a salvação do ser humano como um todo, alma e corpo. Se objetivamos o céu, a vida com Deus, não o podemos fazer sem dar atenção às necessidades dessa vida.

10. De tudo isso, deveríamos sentir a Igreja como “nossa”, como um dom de Cristo, como a encarnação da sua compaixão pela humanidade, não como qualquer coisa de estranha, uma “super estrutura” que preferiríamos, talvez, que não existisse. O que mantém muitas pessoas distante da Igreja como instituição são, de modo geral, os defeitos, as incoerências, os erros passados ou presentes dos que estão à frente da mesma.

11. Não preciso lembrar a humanidade dos mesmos, ou mesmo que o grupo dos doze não era tão perfeito assim. As escolhas de Jesus não se baseiam naquilo que se é, mas naquilo que se podem tornar com a sua graça, e em seu seguimento. A Jesus não interessa tanto que seus colaboradores sejam perfeitos, mas que tenham um coração capaz de se compadecer como o seu.

12. E isto não diz respeito só aos que estão à frente da Igreja, mas a todos os batizados. Quando essa compaixão, como aquela de Cristo, se traduz em gestos concretos de solidariedade – e cada um naquilo que lhe é possível e que depende dele –, está ali, hoje, um verdadeiro discípulo de Cristo. Ali se realiza, mesmo em pequena parte, o fim para o qual Cristo quis a Igreja. 

* com base em texto de Raniero Cantalamessa

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sábado, 13 de junho de 2026

(Is 61,9-11; Sl 1Sm 2; Lc 2,41-51) Imaculado Coração de Maria.

“Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente. Sua mãe, porém,

conservava no coração todas essas coisas” Lc 2,51.

“Não há como esquecer fatos marcantes na vida de uma pessoa. Com Maria tudo ainda era muito recente: a anunciação, o encontro com Isabel, o recenseamento, o nascimento de Jesus, a visita dos Magos, a circuncisão de Jesus, a apresentação no Templo, Simeão, Ana, a fuga para o Egito e agora, após doze anos, a Festa da Páscoa. Suas lembranças devem ter sido fortíssimas, porém bem guardadas no seu coração. O coração é o lugar que que, sentimentalmente, guardam-se as emoções. Certamente Maria tinha um coração muito forte. Cada detalhe reforçava sua fé e disposição para servir. Mesmo não compreendendo que Jesus cumpria estar na casa de seu Pai (o Templo) ela guardava e ponderava em tudo. Ter um filho como Jesus não era para qualquer um. O texto diz que Ele ‘desceu com eles para Nazaré, e era-lhes submisso’. Um filho obediente e submisso é tudo que os pais querem na vida. Ele foi um filho dedicado. Assim cresceu em ‘sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens’. Quais são as nossas lembranças agradáveis que ocorreram em nossa família? Temos consciência prazerosa do nosso Batismo e Confirmação? Nossa participação na comunidade de fé é relevante? Os dons que recebemos estão a serviço do Senhor? Somos dedicados a este Deus maravilhoso? Não vivemos apenas de sentimentos e lembranças, porém eles fazem parte da nossa história – história essa marcada pela graça e amor divinal. Nossa submissão a Deus deve ser entendida não como um jogo obrigatório e pesado, mas como um desejo sincero em estar na mesma missão que Jesus esteve – servir o Pai com alegria. – Ó Jesus bendito, quero te servir; pelos teus caminhos faze-me seguir. Sem a tua graça não podemos ter força suficiente para o mal vencer. Protetor bondoso, vem nos conduzir; tua paz celeste faze em nós luzir. Amém (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 12 de junho de 2026

(Dt 7,6-11; Sl 102[103]; 1Jo 4,7-16; Mt 11,25-30) Sagrado Coração de Jesus.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração,

e vós encontrareis descanso” Mt 11,29.

“Queridos irmãos e irmãs! Celebramos na sexta-feira passada a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, uma devoção profundamente radicada no povo cristão. Na linguagem bíblica o ‘coração’ indica o centro da pessoa, a sede dos seus sentimentos e das suas intenções. No Coração do Redentor nós adoramos o Amor de Deus pela humanidade, a sua vontade de salvação universal, a sua misericórdia infinita. Portanto, prestar culto ao Sagrado Coração de Cristo significa adorar aquele Coração que, depois de nos ter amado até o fim, foi trespassado por uma lança e do alto da Cruz derramou Sangue e Água, Fonte inexaurível de vida nova. A festa do Sagrado Coração foi também o Dia Mundial pela santificação dos sacerdotes, ocasião propícia para rezar a fim de que os presbíteros nada anteponham ao amor de Cristo. [...] O coração que mais se assemelha ao Coração de Cristo é, sem dúvida, o de Maria, a Mãe Imaculada, e precisamente por isso a liturgia os indica juntos à nossa veneração. Respondendo ao convite feito pela Virgem de Fátima, confiamos ao seu Coração Imaculado, que ontem contemplamos de modo particular, o mundo inteiro, para que experimente o amor misericordioso de Deus e conheça a paz verdadeira” (Bento XVI – Um Caminho de Fé Antigo e sempre Novo – Vol. I – Mokai) 

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 11 de junho de 2026

(At 11,21-26; 13,1-3; Sl 97[98]; Mt 10,7-13) São Barnabé, apóstolo.

“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’” Mt 10,7-13.

“Barnabé significa ‘filho da exortação’ (At 4,36) e ‘filho da consolação’, e é o sobrenome de um judeu levita originário de Chipre. Depois de estabelecer-se em Jerusalém, foi um dos primeiros a abraçar o cristianismo após a ressurreição do Senhor. Com grande generosidade vendeu um campo de sua propriedade e entregou dinheiro obtido aos apóstolos, para as necessidades da Igreja (c. At 4,37). Foi o fiador da conversão de Saulo diante da comunidade cristã de Jerusalém, que, todavia, desconfiava do antigo perseguidor (cf. At 9,27). Enviado para Antioquia da Síria, foi buscar Paulo em Tarso, onde se retirara, e passou um ano inteiro com ele, dedicando-se à evangelização desta importante cidade, em cuja igreja Barnabé era conhecido como profeta e doutor (cf. At 13,1). No momento das primeiras conversões de pagãos, Barnabé entendeu que havia chegado a hora de Saulo, que se retirara para Tarso, sua cidade. E ali foi busca-lo. Neste momento importante é como se tivesse devolvido Paulo à Igreja: presenteou-a, neste sentido, mais uma vez, com o Apóstolo do Povo. Da Igreja de Antioquia, Barnabé foi enviado como missionário junto a Paulo, para realizar o que se considera a primeira viagem missionária do apóstolo. Na verdade, tratou-se de uma viagem missionária de Barnabé, já que era ele o verdadeiro responsável, a quem Paulo se uniu como colaborador, chegando às regiões de Chipre e da Anatólia centro-meridional, na atual Turquia, nas cidades de Atalia, Perge, Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (cf. At 13,14). Com Paulo participou em seguida do Concílio de Jerusalém, onde, depois de um exame profundo da questão, os apóstolos, juntamente com os anciãos, decidiram eliminar da identidade cristã a prática da circuncisão (cf. At 15,1-35). Só assim, ao final, tornaram possível, oficialmente, a Igreja dos pagãos, uma Igreja sem circuncisão: somos filhos de Abraão simplesmente pela fé em Cristo”. (Bento XVI – Os Apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus – Planeta).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 10 de junho de 2026

(1Rs 18,20-39; Sl 15[16]; Mt 5,17-19) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus

e que és tu que convertes os seus corações!” 1Rs 18,37.

“Jezebel, a cruel princesa fenícia, esposa de Acab, propagandista do culto de Baal e de Asera, projeta exterminar os profetas do Senhor (cf. 1Rs 18,3-4). Elias, paradoxalmente acusado de ser ‘a ruína de Israel’, reenvia a acusação contra Acab e a sua família, porque pelo fato de ter ‘abandonado os preceitos do Senhor’ é que veio a verdadeira ruína moral e material da nação (cf. 1Rs 18,17-18). E lança um desafio: Elias, diante de todo o povo dará testemunho da verdade do seu Deus contra as vãs veleidades dos profetas de Baal. [Compreender a Palavra:] O célebre desafio no monte Carmelo (promontório montanhoso a norte do país) entre Elias e os profetas de Baal é causado por uma provação das consciências: ‘Até quando oscilareis para os dois lados?’ (à letra: ‘Até quando saltareis de um ramo para o outro?’; poderia também ser traduzido para ‘Até quando estareis presos a duas amarras?’). Não se seguirão ao mesmo tempo Deus e Baal, o Senhor e os ídolos, Deus e mamona. O povo não responde à provocação, não compreende. Por que é que teria de escolher? Por quê esta tragicidade? É muito mais cômodo procurar tirar vantagens de ambas as partes: o cuidado paterno de JHWH, libertador dos inimigos, e a prosperidade esperada de Baal, presumível ‘dono’ da fecundidade da terra, dos rebanhos e dos homens. Por um lado o mundo da fé, por outro o mundo da magia. A narração do desafio entre as divindades, certamente muito longe da sensibilidade religiosa, prolonga-se assumindo tons hilariantes ao descrever a auto excitação dos profetas pagãos, e a ironia com que Elias finge partilhar as justificações do falhanço deles. O texto culmina na oração angustiosa do profeta, na descida do fogo do Céu e na confissão coral do povo: ‘O Senhor é o verdadeiro Deus! O Senhor é o verdadeiro Deus!’ (v. 39)” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).     

Pe. João Bosco Vieira Leite

 

Terça, 09 de junho de 2026

(1Rs 17,7-16; Sl 4; Mt 5,13-16) 10ª Semana do Tempo Comum.

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre o monte” Mt 5,13-14.

“Jesus, como mestre, ensina sobre a natureza e inteireza da fé e sobre a integridade do amor. A fé, segundo Ele, postula um comportamento cuja natureza é a do sal e da luz. Como sal, deve ela conservar e dar sabor aos alimentos. Caso não faça isto, assevera, ‘não servirá para nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens’. Paralelamente, Ele se refere à fé comparando-a com uma cidade ‘situada no cimo de um monte’ ou uma candeia que ‘não é colocada debaixo de uma vasilha’. A luz tem por finalidade iluminar ‘a todos que estão em casa’ e uma cidade no cimo de um monte ‘não pode esconder-se’, mas poderá ser vista por todos os transeuntes. Assim é a fé dos crentes e a caridade de seus seguidores. Como sal, têm força para salgar; como luz, brilho para iluminar; como cidade, servem como acolhida ou como alvo para os inimigos. Em outras palavras, a fé e o amor cristãos são frágeis em sua natureza, podendo ser atingidos por todos, mas fortes com obrigação de testemunho por aqueles que os professam. Não é assim que nos sentimos ao professar nossa fé e nos esforços do nosso amor criativo? Quantas vezes é ridicularizada pelos transeuntes a alegria de nossa fé, e quantas vezes nos sentimos alvos de zombaria na integridade do nosso amor pelos outros! Embora a prática do dia-a-dia da fé e do amor nos ensina que assim é, não podemos, por fidelidade a Cristo e ao Evangelho, recolher a luz da fé para debaixo de uma vasilha ou deixar que o sal do amor perca sua força transformadora dentro da realidade do mundo. Amor e fé valem pelo que são, mesmo que seus frutos sejam ridicularizados e rejeitados pelos outros. – Senhor Deus, grande e bom, queremos, em primeiro lugar, agradecer-vos pelos dons da fé e da caridade; e, depois, pedir-vos coragem e constância no testemunho que somos chamados a dar. Amém (Neylor J. Tonin – Graças a Deus [1995] – Vozes).  

Pe. João Bosco Vieira Leite

Segunda, 08 de junho de 2026

(1Rs 17,1-6; Sl 120[121]; Mt 5,1-12) 10ª Semana do Tempo Comum.

“... e Jesus começou a ensiná-los: ‘Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus’”

Mt 5,2.

“As bem-aventuranças têm a ver com o Reino de Deus proclamado por Jesus. Para compreender a pregação de Jesus sobre o Reino, urge reportar-nos à triste experiência de monarquia em Israel. A experiência frustrada do passado deveria ser retomada no presente, de maneira compatível com o querer do Senhor do Reino. A ideologia real do Antigo Oriente atribuia aos reis, como tarefa primordial, a defesa dos mais fracos e pequeninos. Entre estes, em primeiro lugar, os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Toda a política do reino deveria ter em vista favorece-los, e impedir que se tornassem vítima da prepotência alheia. Entretanto, os reis de Israel foram os primeiros a oprimir e explorar os pobres. De maneira inescrupulosa, fechavam os olhos para a violência que sofriam, tornando-se cúmplices desta afronta a Deus. Esta experiência suscitou no coração dos pobres a esperança de que, um dia, Deus haveria de intervir na história humana, para estabelecer a ordem querida por ele, e fazer-lhes justiça. Para tanto, Deus encarregaria o seu Messias. As palavras de Jesus, nas bem-aventuranças, enquadram-se nesta esperança dos pobres. Ele veio não apenas relembrar à humanidade o projeto de Deus, mas empenhar-se, de corpo e alma, para que, afinal, ele se implantasse na história humana. – Pai, torna-me sensível aos sofrimentos dos pobres e dos marginalizados, movendo-me a lutar para que tenham sua dignidade respeitada, pois são teus preferidos (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

Pe. João Bosco Vieira Leite

10º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Os 6,3-6; Sl 49[50]; Rm 4,18-25; Mt 9,9-13) *

1. Nosso evangelho traz dois episódios distintos: a vocação de Mateus e a refeição de Jesus com os pecadores, com a consequente discussão com os fariseus.

2. Não devemos tomar o chamado de Mateus como uma informação exata do ocorrido, mas de uma busca de revelar-nos a quem Deus escolhe, como é feito o chamado e como se deve responder ao mesmo.

3. Sabemos que os cobradores de impostos eram odiados em Israel, considerados ladrões e aproveitadores. A salvação deles era praticamente impossível. A lei estabelecia que o ladrão deveria restituir o que tirou indevidamente, e mais 20%. Recordemos o caso de Zaqueu em sua busca por salvação.

4. Assim o gesto de Jesus torna-se revolucionário. Talvez o autor do nosso Evangelho pensava em combater certo “puritanismo” que se infiltrava na comunidade, lembrando o seu próprio chamado.

5. Quando Jesus o chama a segui-lo, não significava tanto deixar-se instruir por ele ou servi-lo, mas comprometer-se a seguir seu exemplo de vida. Jesus subverte as relações discípulo/mestre do seu tempo. Não os chama de “servos”, mas de amigos, se coloca a serviço deles e lhe lava os pés.

6. O “seguimento” de Jesus não tem promessa de nenhuma glória, nenhuma riqueza, mas somente serviço, dom de si. Uma resposta que deve ser firme e decidida. Mudança de vida. A vocação de Mateus representa o chamado a todos os cristãos. Ele não quer ser admirado, mas seguido.

7. A 2ª parte do evangelho nos situa na festa organizada na casa do próprio Mateus. E ali, entre Jesus e os discípulos, estão outros publicanos. Jesus come com eles, os acolhe.

8. E temos a reação dos fariseus, que se acham “justos”. Jesus responde a tal reação com um provérbio um tanto irônico e em seguida cita o profeta Oséias da 1ª leitura. Por fim acrescenta uma sentença que resume todo o seu comportamento: “Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

9. Os fariseus imaginavam que o Deus ‘santo’ não iria se misturar com os pecadores e para imitá-lo se mantinham isolados e distantes de pessoas impuras. Jesus vem dizer que Deus não é como elas pensam, não despreza, não julga, não condena, salvo aqueles que prefiram se manter em suas posições.

10. Aqui se lança uma reflexão para todos os seus seguidores. É óbvio que a comunidade cristã tem que ter claro o que diz o Evangelho e quem não se sente disposto a seguir a Cristo, se exclui da vida comunitária. Mas talvez devamos refletir, em casos específicos, se a total exclusão seria a escolha certa.

11. Não será, talvez, mais conveniente manter sempre algum laço para ‘não apagar o pavio que ainda fumega?’. Quantos de nós não temos contatos com pessoas que não creem, ou que são de outras denominações religiosas ou mesmo que não tenham uma vida assim tão “santa”? Talvez nós sejamos, para alguns, o único contato que eles têm com o Evangelho.

* com base em texto de Fernando Armellini

Pe. João Bosco Vieira Leite


Sábado, 6 de junho de 2026

(2Tm 4,1-8; Sl 70[71]; Mc 12,38-44) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Eles [os escribas] devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações.

Por isso eles receberão a pior condenação” Mc 12,40.

“A fala de Jesus sempre exorta à simplicidade e à humildade. Ele fala forte contra quem tenta se aproveitar dos menores, dos mais frágeis, especialmente daqueles que utilizam para isso a fé e a religião, que deveriam justamente defender a quem necessita, não extorquir. Na sequência desse texto (cf. Mc 12,38-44), Jesus elogia a disposição de uma viúva pobre que doa simples duas moedinhas, mas que eram tudo o que ela tinha. O que estamos dispostos a oferecer para a construção do Reino de Deus? Somente o que nos sobra, ou tudo o que temos e somos? Temos a coragem e a confiança necessárias para oferecer o nosso tempo, os nossos sonhos, projetos, a nossa força para em comunhão concretizarmos esse mundo de paz, solidariedade e fraternidade? Ou apenas procuramos lucrar com a fé? Exigimos, de Deus e dos que creem, que nos sirvam aos nossos propósitos? Mesmo a nossa fé só tem sentido na dinâmica da gratuidade. A oração pelo irmão não é uma energia que geramos e ‘enviamos’ a ele, mas é celebração de ‘comunhão’, é reconhecer que, como num corpo, um membro doente afeta o corpo todo. Isso é comunhão de vida e de fé. Jesus atenta para os que que se movem por interesses, sem pensar no corpo. Aqueles que deixam falar mais alto segundas e terceiras intenções. Incapazes da gratuidade, são incapazes de amar. – Louvado sejas, nosso Senhor, pela constância em nossas vidas, pela presença compassiva e misericordiosa que ilumina o que somos e o que fazemos. Queremos, Senhor, assumir em nossa vida esse senso de pertença, de comunhão, de entrega e comprometimento com o outro. Que nunca deixemos o necessitado abandonado, que nunca nossa cobiça fale mais alto, principalmente diante do pobre, que jamais nosso coração se endureça ou nos falte misericórdia e compaixão. Amém!  (Clauzemir Makximovitz – Meditações para o dia a dia [2017] Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite

Sexta, 05 de junho de 2026

(2Tm 3,10-17; Sl 118[119]; Mc 12,35-37) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?

E uma grande multidão o escutava com prazer” Mc 12,37.

“Talvez já tenha passado a época em que os filhos chamavam o pai de senhor. Se este título era bem usado ou não, fato é que chamar alguém de senhor nos faz lembrar de respeito, de honra, de dignidade. Jesus nos faz lembrar desta palavra quando compara Davi com o Messias (o salvador esperado). Muitas pessoas respeitavam Jesus, é verdade. Mas havia muitas outras que sentiam grande desprezo por Ele. Estas diziam honrar os seus pais, mas não honravam o Deus de seus pais. Estas diziam honrar o profeta e Rei Davi, mas estavam desprezando aquele por quem Davi tanto havia esperado, aquele a quem ele chama de Senhor no Sl 110,1. Quando nos foi ensinado o quarto mandamento: ‘Honrarás a teu pai e a tua mãe para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra’, este honrar tem a ver não só com respeito, mas também com ouvir e guardar o ensinamento que Deus deixou aos nosso pais. Mesmo que talvez não tenhas um pai cristão, poderás ter um pai espiritual que te guiará pelas verdades bíblicas. É a Palavra de Deus que nos dará forças para vivermos uma vida de respeito e de honra. Se achamos que o mundo está virado de cabeça para baixo e todos se esqueceram do respeito e da dignidade, a nossa ajuda está na Palavra de Deus. Se teus pais não são cristãos, poderá honrá-los falando de Cristo a eles, respeitando-os e amando-os. O mesmo é verdade em relação aos amigos, demais familiares e tantas pessoas que precisam da Palavra de Deus. Deus nos ensine a honrar a Deus para que possamos honrar as pessoas que nos cercam. – Senhor Deus de toda honra, peço-te humildemente que me ensines a honrar o teu nome e a servir o meu próximo em amor, por meio de Jesus Cristo. Amém! (Arnaldo Hoffmann Filho – Meditações para o dia a dia [2015] – Vozes).

Pe. João Bosco Vieira Leite 

Quinta, 04 de junho de 2026

(Dt 8,2-3.14-16; Sl 147[147B]; 1Cor 10,16-17; Jo 6,51-58) Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

“Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” Jo 6,54.

“Jesus é a Palavra que se tornou carne, ‘o pão descido do Céu’ que dá vida ao mundo (v. 51). A oferta que Ele faz de Si mesmo na morte prolonga-se na Eucaristia. Aos judeus que murmuram, Jesus reafirma que para ter a vida eterna se deve ‘comer a Carne do Filho do homem’ e ‘beber o seu Sangue’ (vv. 52-53). A carne que se deve comer identifica com Jesus (vv. 54-56), o enviado do Pai (v. 57). Ele é o verdadeiro maná descido do céu que dá vida (v. 587). Jesus identifica-se com o ‘pão descido do céu’ (v. 51); Ele é a Palavra de Deus que responde à necessidade profunda de viver que habita em cada ser humano. O pão descido do Céu é de fato a ‘carne’ (v. 51b), o Filho de Deus que na sua humanidade concreta, frágil e indefesa à morte por amor. Ao ouvir estas palavras os judeus escandalizam-se (cf. 52), porque a Lei proibia comer carne juntamente com sangue. Mas Jesus reafirma que a Sua entrega se torna fonte de ‘vida’ para o mundo (vv. 53,54). Por isso ‘quem come a sua carne’ e ‘bebe seu sangue’ entra em comunhão com este gesto de amor, que tem a sua fonte no Pai (vv. 56-57). Uma mesma corrente de vida parte de Deus, o Pai e, através de Jesus, o Filho, derrama-se no crente que entra, mediante a fé e a experiência eucarística, em comunhão com Ele. Mediante a comunhão com Jesus, o crente que come a Sua carne e bebe o Seu sangue entra em comunhão com o Pai, fonte última da vida” (Giuseppe Casarin – Lecionário Comentado [Tempo Comum – Vol. I] – Paulus).      

Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 03 de junho de 2026

(2Tm 1,1-3.6-12; Sl 122[123]; Mc 12,18-27) 9ª Semana do Tempo Comum.

“Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muitos enganados” Mc 12,27.

“Nosso Deus é o Deus dos vivos; é o Deus daqueles que, por reconhecê-lo como Deus, devem viver a vida dele; será esta a única forma de crer em Deus, viver sua própria vida divina. Caso contrário, nossa fé não passará do nível de simples crença, e nunca se poderá proclamá-la como uma verdadeira fé, que antes de mais nada é uma vida. Devemos questionar-nos com frequência se na realidade temos fé. Não importa que sejamos pessoas comprometidas com o Reino de Deus; se não temos a vida de Deus em nós, não temos fé, pelo menos uma fé vivencial, como deve ser a fé autêntica” (Alfonso Milagro – O Evangelho meditado para cada dia do ano – Ave-Maria).

 Pe. João Bosco Vieira Leite

Terça, 02 de junho de 2026

(2Pd 3,12-15.17-18; Sl 89[90]; Mc 12,13-17) 9ª Semana do Tempo Comum.

“As autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes

para apanharem Jesus em alguma palavra” Mc 12,13.

“A hostilidade contra Jesus uniu os seus adversários. Os enviados para armar-lhe ciladas são partidários da facção farisaica e do partido dos herodianos. Os fariseus eram bem conhecidos por seu apego às prescrições da Lei e por sua postura anti-romana. Embora resistissem aos opressores, de forma não-violenta, recusavam-se, decididamente, a conformar-se com a dominação estrangeira. Por sua vez, os herodianos estavam ligados à casa de Herodes cujos membros exerciam a autoridade em nome do imperador romano. Os fariseus buscaram a ajuda dos herodianos por saberem que estes, embora indiferentes quanto às questões religiosas, tinham interesse em abafar os movimentos populares de caráter messiânico, para evitar problemas com Roma. Por isso, fecharam os olhos às suas divergências ideológicas e optaram fazer um conluio com seus inimigos para garantir a eliminação de Jesus. A questão dirigida ao Mestre – ‘É lícito ou não pagar o tributo a César?’ – era de caráter eminentemente político. Respondendo sim, Jesus entraria no rol dos que se opunham à autoridade romana. Respondendo não, perderia a simpatia do povo, o qual, na certa, o consideraria um traidor, por reconhecer e justificar a opressão estrangeira. Jesus deu-lhes uma resposta admirável: nada impede de dar a César o que lhe pertence, desde que o absoluto de Deus seja respeitado. Deus é a medida de tudo! – Pai, tudo quanto existe no universo te pertence. Ensina-me a subordinar tudo ao teu querer e a considerar-te a medida de tudo” (Pe. Jaldemir Vitório, sj – O Evangelho nosso de Cada Dia [Ano A] - Paulinas).

 Pe. João Bosco Vieira Leite